Governo argentino alega segurança nacional após episódio com gravação irregular; medida é criticada por jornalistas e oposição
O presidente da Argentina, Javier Milei, determina, nesta sexta-feira (24/04/2026), a proibição do acesso de jornalistas credenciados à Casa Rosada, sede do governo federal. A decisão ocorre após a divulgação de imagens internas do prédio feitas com óculos inteligentes por uma emissora de televisão.
O governo classifica o episódio como “espionagem ilegal” e justifica a medida como necessária para garantir a segurança nacional. Durante declarações públicas, Milei eleva o tom contra profissionais da imprensa. “Lixo nojento”, diz ao se referir a jornalistas envolvidos no caso.
Reação da imprensa
Jornalistas credenciados que atuam na Casa Rosada divulgam uma nota conjunta criticando a decisão e apontando riscos à liberdade de imprensa.
“Negar o acesso aos repórteres sugere um ataque explícito à liberdade de imprensa, à prática do jornalismo e ao direito do público de acessar as informações”, afirmam os profissionais no documento.
A Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas também se posiciona contra a medida e demonstra preocupação com o impacto institucional.
A entidade afirma que a decisão “não encontra precedentes na vida democrática argentina” e cobra revisão imediata da restrição.
Pressão política
A medida amplia o histórico de tensão entre o governo Milei e a imprensa. O presidente argentino acumula episódios de confrontos públicos com jornalistas, tanto em entrevistas quanto em redes sociais.
A deputada Mónica Frade, integrante da oposição, critica a decisão e faz um paralelo com períodos históricos do país.
“O fechamento do comitê de imprensa da Casa do governo em um país democrático é o pior símbolo possível da fragilidade da democracia argentina”, afirma.
Contexto
A Casa Rosada é o principal centro administrativo do governo argentino e tradicionalmente mantém acesso regular de jornalistas para cobertura institucional.
Na prática, a restrição altera a dinâmica de transparência e comunicação oficial, ao limitar o trabalho da imprensa dentro do espaço mais estratégico do Executivo argentino.
Fonte: Agência Brasil
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