Restrições migratórias e negativas de visto afastam torcedores da Copa do Mundo de 2026

Fãs de seleções classificadas relatam dificuldades para entrar nos Estados Unidos, principal sede do torneio, e afirmam sentir-se excluídos da competição.

Torcedores de diversos países classificados para a Copa do Mundo de 2026 relatam dificuldades para acompanhar suas seleções nos Estados Unidos devido a restrições migratórias, negativas de vistos e barreiras burocráticas impostas pelo governo norte-americano. A situação tem gerado frustração entre fãs que planejavam viajar para assistir aos jogos do torneio.

O iraquiano Abdulla Adnan está entre os torcedores afetados. Após a classificação do Iraque para a competição, ele adquiriu ingressos para as partidas contra Noruega e França, mas não conseguiu obter o visto necessário para entrar nos Estados Unidos. Com a suspensão dos serviços consulares norte-americanos no Iraque em meio ao conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, Adnan precisou viajar à Jordânia para tentar concluir o processo, sem sucesso.

“Ir a um jogo, a um estádio, a uma multidão, torcer e ver meu time. Isso é tudo para mim. É um sentimento incomparável”, afirmou.

Além do Iraque, torcedores de países como Haiti, Irã, Senegal e Costa do Marfim enfrentam restrições adicionais em razão das políticas migratórias adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As medidas incluem limitações para concessão de vistos de visitantes e exigências mais rigorosas para entrada no país.

Reclamações sobre exclusão

Representantes de torcidas organizadas afirmam que as restrições comprometem o espírito de integração tradicionalmente associado à Copa do Mundo. O presidente da associação de torcedores da Costa do Marfim, Julien Kouadio Adonis, criticou as barreiras impostas aos africanos.

“É uma forma de segregação velada. Nenhum país europeu enfrentou esse tipo de restrição. Por que a África?”, questionou.

O torcedor senegalês Aliou Ngom, que acompanhou as últimas edições da Copa na Rússia e no Catar, também desistiu de solicitar o visto para viajar aos Estados Unidos.

“Uma das melhores partes da Copa é ver culturas se unindo de todo o mundo”, disse.

Altas taxas de rejeição

Dados analisados pela BBC apontam que cidadãos de 11 dos 48 países classificados para a Copa enfrentaram taxas de rejeição de vistos superiores a 40% entre outubro de 2024 e setembro de 2025. Entre os países afetados estão Senegal, Irã, Jordânia, Haiti, Gana e República Democrática do Congo.

Mesmo quando o visto é concedido, a entrada nos Estados Unidos não é automática. As autoridades migratórias mantêm a prerrogativa de impedir o ingresso de viajantes nos aeroportos e postos de fronteira.

Para o jordaniano Abu Kass, presidente da associação de torcedores de seu país, a sensação é de exclusão.

“Esta Copa do Mundo não é nossa. Não é para árabes. É para eles”, declarou.

Posição do governo dos EUA

Em resposta às críticas, o Departamento de Estado norte-americano afirmou que está preparado para receber visitantes durante o torneio e destacou que cada pedido de visto é analisado individualmente.

Segundo o governo, o processo busca garantir a segurança nacional e verificar se os solicitantes atendem aos requisitos legais para entrada temporária no país.

A Copa do Mundo de 2026 é organizada conjuntamente por Estados Unidos, Canadá e México. Das 104 partidas do torneio, 78 serão disputadas em território norte-americano, incluindo a final.

Fonte: G1 Mundo

Foto: Abdulla Adnan

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