Eleição geral de 12 de abril reúne 35 candidatos, tem alto índice de indecisos e deve ser decidida em segundo turno
O Peru realiza eleições gerais neste domingo, 12 de abril de 2026, com cerca de 27 milhões de eleitores aptos a votar em meio a um cenário marcado por fragmentação política, corrupção e aumento da criminalidade.
A votação ocorre das 7h às 17h, no horário local, com cédulas de papel que chegam a 44 centímetros, as maiores já utilizadas no país. O pleito também define a composição de um Congresso bicameral recém-reinstaurado.
Disputa fragmentada e número recorde de candidatos
A eleição registra um número inédito de 35 candidatos à presidência, o que amplia a dispersão de votos e dificulta a definição de um favorito claro. Nas ruas de Lima, materiais de campanha ocupam espaços públicos, refletindo a intensidade da disputa.
“Eu vi a cédula e, sinceramente, me deu dor de cabeça. Não sei em quem votar”, afirma a comerciante Marlene Jimenez, evidenciando o nível de indecisão entre eleitores.
Pesquisas indicam liderança apertada de Keiko Fujimori, seguida por nomes como Rafael López Aliaga, Ricardo Belmont e Carlos Álvarez. Nenhum dos candidatos ultrapassa 15% das intenções de voto, cenário que torna praticamente inevitável um segundo turno, previsto para 7 de junho.
Alta taxa de indecisos e cenário imprevisível
Cerca de 13% do eleitorado ainda se declara indeciso a poucos dias da votação, o que mantém o cenário aberto e sujeito a mudanças de última hora. Analistas apontam que candidatos com menor intenção de voto não podem ser descartados.
“Faltam quatro dias, e a história pode mudar”, afirma Urpi Torrado, da empresa Datum Internacional, ao destacar a volatilidade do processo eleitoral.
Crise institucional marca última década
A eleição ocorre após um período prolongado de instabilidade política. Desde 2018, o Peru teve oito presidentes, com casos de destituição, prisão e renúncia.
O analista político Fernando Tuesta avalia que o pleito pode representar uma ruptura ou a continuidade desse cenário. Para ele, o país enfrenta um desgaste institucional que impacta diretamente a confiança do eleitorado.
Corrupção segue como tema central
O combate à corrupção permanece como eixo central da campanha. Quatro ex-presidentes peruanos estão presos, a maioria envolvida em investigações relacionadas à construtora brasileira Odebrecht.
O ex-presidente Alberto Fujimori, pai de uma das principais candidatas, cumpriu 16 anos de prisão por violações de direitos humanos e morreu em 2024, após ser libertado por razões humanitárias.
Avanço da criminalidade muda prioridades
Se antes a corrupção dominava o debate público, a segurança passou a disputar protagonismo. Dados oficiais apontam aumento de quase 20% nos casos de extorsão no último ano, além de recordes nas taxas de homicídio.
A professora Paula Muñoz, da Universidade do Pacífico, afirma que o avanço da criminalidade tem impacto direto na vida de trabalhadores e pequenos empresários, especialmente no setor de transportes.
Esse cenário impulsiona propostas mais rígidas no campo da segurança, incluindo uso de forças militares, endurecimento de penas e até o retorno de práticas como os chamados “juízes sem rosto”.
Pressão por respostas e risco de continuidade da crise
A eleição coloca em jogo não apenas a escolha de um novo presidente, mas a capacidade do país de estabilizar seu sistema político. A fragmentação da disputa, o alto número de candidatos e o crescimento de pautas ligadas à segurança indicam um ambiente de forte tensão eleitoral.
Entre expectativa e incerteza, o eleitor peruano vai às urnas pressionando por respostas rápidas a problemas estruturais que se acumulam há anos.
Fonte: Reuters
Foto: Connie France/AFP

