Alemanha registra quase 14 mil mortes associadas ao calor em quatro meses

Estimativa do Instituto Robert Koch aponta que cerca de 90% das vítimas têm 65 anos ou mais; somente uma semana de calor extremo em junho concentra 9,6 mil mortes

Quase 14 mil pessoas morreram na Alemanha entre abril e agosto de 2026 em decorrência de períodos de calor extremo, segundo estimativa do Instituto Robert Koch (RKI), órgão do governo alemão responsável pelo monitoramento e controle de doenças. O levantamento considera o período entre 6 de abril e 9 de agosto e aponta aproximadamente 17 mortes associadas ao calor para cada 100 mil habitantes.

O instituto classifica a estimativa como conservadora, o que significa que o número real de mortes relacionadas às altas temperaturas pode ser maior. O total registrado em 2026 já supera os picos estimados anteriormente para 2018, quando foram contabilizadas cerca de 9,4 mil mortes, e 2019, com aproximadamente 7,6 mil.

Idosos concentram a maioria das mortes

Pessoas com 65 anos ou mais representam cerca de 90% das mortes associadas ao calor registradas no período. Entre as vítimas, 7.040 tinham 85 anos ou mais, cerca de 3.450 estavam na faixa de 75 a 84 anos e aproximadamente 2.170 tinham entre 65 e 74 anos.

Entre os alemães com menos de 65 anos, o RKI estima 1.320 mortes relacionadas ao calor. O número de mulheres entre as vítimas também é superior ao de homens. Segundo o instituto, uma das razões é a maior presença de mulheres entre a população idosa.

Calor extremo nem sempre aparece como causa da morte

O RKI explica que períodos prolongados de altas temperaturas costumam provocar aumento da mortalidade, mas o calor raramente é registrado como causa isolada da morte.

Em muitos casos, as altas temperaturas agravam doenças preexistentes e contribuem para a morte, sem que apareçam diretamente no atestado de óbito. O efeito pode ocorrer, por exemplo, em pessoas que já apresentam condições de saúde agravadas pelo calor.

Segundo o instituto, o aumento da mortalidade relacionada às temperaturas passa a ser perceptível quando a média semanal chega a 20 ºC, considerando as temperaturas registradas durante o dia e à noite.

Onda de calor de junho concentra milhares de mortes

A semana entre 22 e 28 de junho concentra 9,6 mil das quase 14 mil mortes estimadas pelo RKI. Durante o período, temperaturas próximas de 40 ºC foram registradas em diversas regiões da Alemanha.

O país ultrapassou pela primeira vez os 41 ºC e registrou três dias consecutivos de recordes de temperatura. O episódio ocorreu durante um período de calor excepcional na Europa Ocidental. Segundo o Copernicus, serviço de monitoramento climático da União Europeia, junho e julho de 2026 foram os meses mais quentes já registrados na região.

A temperatura média chegou a 21,62 ºC, 2,79 ºC acima da média registrada entre 1991 e 2020.

Estimativa pode ser revisada

O RKI calcula os números a partir de dados de mortalidade do Departamento Federal de Estatísticas e de informações coletadas em 52 estações meteorológicas do Serviço Meteorológico Alemão.

Os dados podem sofrer alterações. Segundo uma porta-voz do instituto, os cálculos são refeitos mensalmente, inclusive para períodos anteriores, e o modelo utilizado para estimar as mortes associadas ao calor passa por aperfeiçoamentos.

“Além disso, o modelo continua sendo aperfeiçoado, por isso os resultados nem sempre são exatamente os mesmos”, explicou a porta-voz.

Fonte: G1 Mundo

Foto: Marcus Brandt/dpa/picture alliance

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