Governo e oposição iniciam negociações para transição política e novas eleições na Venezuela

Diálogo mediado pelos Estados Unidos começa em Caracas sete meses após a captura de Nicolás Maduro e prevê discussão sobre reformas institucionais e calendário eleitoral

O governo interino da Venezuela e representantes da oposição iniciaram, nesta quinta-feira (6), em Caracas, uma rodada de negociações para discutir uma transição política e a realização de novas eleições no país. O diálogo ocorre sete meses após a captura de Nicolás Maduro em uma operação conduzida pelos Estados Unidos e é mediado pelo governo norte-americano.

As conversas são lideradas pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, que representa o governo interino, e pela ex-deputada Dinorah Figuera, representante da oposição. A líder opositora María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, não participa das negociações.

A reunião acontece no Centro de Convenções da base militar de La Carlota, em Caracas. Apenas fotógrafos tiveram acesso ao início do encontro, que começou com horas de atraso, sem declarações públicas das delegações.

Reforma institucional e eleições

Segundo Dinorah Figuera, o objetivo das negociações é promover mudanças em instituições consideradas estratégicas para o processo democrático venezuelano, como o Tribunal Supremo de Justiça e o Conselho Nacional Eleitoral, além de restabelecer direitos civis e políticos da população.

“Hoje instalamos o processo que marcará o caminho para a democracia e a reinstitucionalização da Venezuela”, escreveu Figuera na rede social X. Jorge Rodríguez informou apenas o início oficial do diálogo com integrantes da antiga Assembleia Nacional eleita em 2015, sem detalhar a pauta das negociações.

Estados Unidos apoiam diálogo

O Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou o início das conversas como uma oportunidade para estabilizar o país. Segundo o governo norte-americano, a estratégia para a Venezuela está dividida em três etapas, que incluem estabilização política, recuperação econômica e reconciliação nacional.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a comentar o processo e elogiou a atuação da presidente interina Delcy Rodríguez. Em publicação na rede Truth Social, também retomou a sugestão de que a Venezuela poderia se tornar o 51º estado norte-americano.

Pressão por libertação de presos políticos

Familiares de presos políticos aproveitaram o início das negociações para cobrar prioridade na libertação dos detidos.

Durante manifestação em Caracas, parentes de militares e opositores presos defenderam que a pauta humanitária seja tratada antes das discussões eleitorais.

“Os presos políticos não são moeda de troca. Pedimos a libertação imediata de todos os presos políticos”, afirmou a irmã de um militar preso. Desde o início do novo governo interino, grupos de familiares mantêm vigílias e manifestações em busca da libertação dos detidos.

Reações internas

A aproximação entre o governo venezuelano e os Estados Unidos também provocou críticas entre setores da esquerda ligados ao chavismo, que realizaram protestos contra a mudança na política externa do país.

Manifestantes exibiram bandeiras e entoaram palavras de ordem contra a influência norte-americana, enquanto aliados da oposição demonstraram expectativa de que as negociações resultem em eleições presidenciais e na reestruturação das instituições democráticas.

Fonte: G1 Mundo

Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

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