Sindicato condiciona manutenção da circulação dos ônibus ao pagamento de salários e vale-alimentação e afirma que poderá retirar até 70% da frota das ruas a partir desta quinta-feira, 6.
MANAUS (AM) – O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Manaus, Givancir Oliveira, informou nesta quarta-feira, 5, que a categoria poderá reduzir a circulação dos ônibus na capital a partir das 10h de quinta-feira, 6, caso os salários e o vale-alimentação dos trabalhadores não sejam pagos pelas empresas de transporte.
De acordo com o sindicato, a paralisação poderá atingir até 70% da frota. A entidade afirma que cerca de 30% dos ônibus continuariam em operação para garantir parte do atendimento à população, enquanto aproximadamente 7 mil trabalhadores, entre motoristas, cobradores, funcionários da manutenção e do setor administrativo, poderiam aderir ao movimento.
Categoria condiciona paralisação ao pagamento dos trabalhadores
Segundo o presidente da entidade, o aviso sobre a possibilidade de paralisação foi comunicado previamente às empresas e aos órgãos públicos. O sindicato sustenta que o pagamento dos trabalhadores deve ser garantido independentemente de eventuais divergências financeiras entre as empresas operadoras e o poder público.
Impacto pode atingir milhares de passageiros
Uma nova redução da frota pode afetar milhares de passageiros que utilizam diariamente o transporte coletivo em Manaus para deslocamentos ao trabalho, escolas e demais atividades. Segundo a Prefeitura de Manaus, o sistema transporta, em média, mais de 500 mil passageiros por dia, opera mais de 210 linhas e conta com uma frota operacional de aproximadamente 800 a 1,1 mil ônibus.
Novo impasse ocorre após paralisação registrada em julho
A ameaça ocorre poucas semanas após outra paralisação parcial do transporte coletivo registrada em julho. Na ocasião, o impasse envolveu discussões sobre repasses relacionados ao Passe Livre Estadual. O Governo do Amazonas anunciou o pagamento de R$ 18 milhões ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), referentes ao custeio do benefício estudantil entre fevereiro e julho.
Disputa sobre repasses continua entre empresas e poder público
Na época, o Governo do Amazonas afirmou que o valor correspondia ao montante devido conforme decisão liminar da Justiça. Já o Sinetram defendeu que os repasses deveriam ser calculados por outro critério e sustentou que o valor devido era superior ao anunciado pelo Estado. O impasse permanece sem solução definitiva e volta a ocorrer em meio à nova ameaça de paralisação.
Candidato nas eleições, Givancir também preside o sindicato
Além de presidir o Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira é candidato a deputado estadual pelo Avante, partido que também lançou o ex-prefeito de Manaus, David Almeida, como candidato ao Governo do Amazonas. A atuação sindical e a candidatura ocorrem simultaneamente durante o período eleitoral.
A reportagem procurou o Sinetram, a Prefeitura de Manaus e o Governo do Amazonas para obter posicionamentos sobre a situação dos pagamentos e as medidas previstas diante da possibilidade de paralisação. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.
Fonte: Agência Cenaruim/ D24am
Foto: Daniel Barbosa / GDC

