Biblioteca do Instituto Mamirauá reúne mais de 28 mil obras e preserva memória científica da Amazônia

Localizada em Tefé, Biblioteca Henry Walter Bates abriga coleção de obras raras dos séculos XIX e XX e é referência em pesquisas sobre biodiversidade, populações tradicionais e conservação da Amazônia.

A Biblioteca Henry Walter Bates, localizada no Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, em Tefé (AM), reúne um dos principais acervos científicos especializados sobre a Amazônia. Com mais de 28 mil títulos catalogados, o espaço preserva livros, periódicos científicos, coleções raras e a produção técnico-científica desenvolvida pelo instituto ao longo de mais de três décadas.

O acervo contempla pesquisas sobre biodiversidade, conservação ambiental, uso sustentável dos recursos naturais, populações ribeirinhas e diversidade socioambiental amazônica. Além do conteúdo científico, a biblioteca oferece vista panorâmica para o Lago Tefé, um dos principais cartões-postais do município.

Origem ligada ao Projeto Mamirauá

A bibliotecária Graciete Rolim, que acompanha a biblioteca desde sua criação, explica que o espaço surgiu a partir das pesquisas desenvolvidas pelo cientista José Márcio Ayres, idealizador da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

“A Biblioteca Henry Walter Bates nasceu, literalmente, das pesquisas do cientista e idealizador da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, José Márcio Ayres. Em meados da década de 1980, ele se instalou na região para estudar o uacari-branco e, ao longo desse trabalho, reuniu um importante acervo bibliográfico. Anos depois, no início da década de 1990, com a estruturação do Projeto Mamirauá, Ayres disponibilizou grande parte desse material para compor a biblioteca, criada em 1994. Com a criação do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, em 1999, o espaço passou a contar com uma estrutura ainda mais consolidada. Além dele, outros pesquisadores também passaram a doar livros, relatórios e publicações científicas, contribuindo para a formação do acervo inicial”, afirmou.

Segundo Graciete, a biblioteca recebeu o nome do naturalista inglês Henry Walter Bates, pesquisador cujos estudos sobre a Amazônia serviram de referência para José Márcio Ayres e para diversas pesquisas realizadas na região.

Acervo preserva obras históricas

Ao longo dos anos, a biblioteca consolidou-se como centro de referência para pesquisadores, estudantes e profissionais de diversas áreas, apoiando estudos realizados na Floresta Nacional de Tefé e nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã.

Entre os destaques estão mais de 400 títulos de periódicos científicos, coleções particulares doadas por pesquisadores como José Márcio Ayres, Deborah de Magalhães Lima e Michael Goulding, além da produção científica do Instituto Mamirauá.

A coleção de obras raras reúne exemplares publicados entre os séculos XIX e XX. Entre eles estão as primeiras edições de A Narrative of Travels on the Amazon and Rio Negro, de Alfred Russel Wallace, publicada em 1853, e The Naturalist on the River Amazons, de Henry Walter Bates, lançada em 1863 e considerada uma das principais referências sobre a história natural da Amazônia.

O acervo também inclui obras de autores contemporâneos da região Norte, como Memórias de Mamirauá, de Edna Ferreira Alencar; Mamirauá, de Thiago de Mello; e A Formação Histórica do Território Tefeense, de Kristian Oliveira de Queiroz.

Espaço é aberto ao público

Além da preservação do patrimônio bibliográfico, a Biblioteca Henry Walter Bates oferece espaços para leitura, estudo e pesquisa, além de computadores com acesso à internet para estudantes, pesquisadores e moradores da região.

A biblioteca também recebe turistas interessados em conhecer um dos principais centros de documentação científica da Amazônia.

O atendimento ocorre no Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, localizado na Estrada do Bexiga, nº 2.584, bairro Fonte Boa, em Tefé. O funcionamento é de segunda a quinta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 18h, e às sextas-feiras, das 8h às 12h e das 13h às 17h. Parte do acervo pode ser consultada pela internet no portal do Instituto Mamirauá.

Fonte: A Crítica

Foto: Tácio Melo/Divulgação

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