Tribunal de apelação responsabiliza empresas pelo acidente que matou 228 pessoas no trajeto entre Rio e Paris em 2009
A Justiça francesa condenou nesta quinta-feira (21) a Airbus e a Air France por homicídio culposo no caso do voo AF447, acidente aéreo que matou 228 pessoas em junho de 2009 durante a rota entre Rio de Janeiro e Paris.A decisão foi anunciada pelo tribunal de apelação de Paris quase 17 anos após a tragédia, considerada o pior desastre aéreo da história da França.
As duas empresas foram consideradas as “únicas responsáveis” pelo acidente e receberam multa máxima de 225 mil euros cada, valor equivalente a cerca de R$ 1,3 milhão.
Tribunal reverte absolvição anterior
Em 2023, Airbus e Air France haviam sido absolvidas em primeira instância sob o argumento de que não existia comprovação de nexo causal direto entre as falhas identificadas e a queda da aeronave.
Agora, o tribunal de apelação acolheu o entendimento do Ministério Público francês, que defendia a responsabilização criminal das empresas por negligência e falhas de segurança.
Segundo a acusação, a Airbus subestimou problemas envolvendo as sondas Pitot, responsáveis pela medição da velocidade da aeronave, enquanto a Air France falhou no treinamento e na orientação dos pilotos para situações de congelamento desses sensores.
Acidente ocorreu durante voo entre Rio e Paris
O Airbus A330-200 desapareceu dos radares em 1º de junho de 2009 enquanto cruzava o Oceano Atlântico em uma área de forte instabilidade climática próxima à Linha do Equador. A aeronave transportava passageiros e tripulantes de 33 nacionalidades. As caixas-pretas foram recuperadas apenas dois anos depois, após buscas no fundo do oceano.

Em relatório divulgado em 2012, investigadores franceses concluíram que o congelamento das sondas Pitot provocou falhas na leitura da velocidade do avião. A partir disso, a tripulação teria reagido de forma inadequada, levando a aeronave à perda de sustentação, conhecida como estol.
Empresas negam responsabilidade
Durante o julgamento, Airbus e Air France negaram responsabilidade criminal e atribuíram o acidente às decisões tomadas pelos pilotos em meio à emergência. Após a condenação, a Air France informou que recorrerá à Suprema Corte da França.
“A empresa está ciente de que este recurso prolonga um processo que já era longo, especialmente para as famílias”, declarou a companhia em nota.
Familiares consideram decisão histórica
Apesar de classificarem as multas como simbólicas diante do porte econômico das empresas, familiares das vítimas afirmaram que a condenação representa um reconhecimento importante sobre as responsabilidades pela tragédia.
O caso ainda pode se prolongar judicialmente caso novos recursos sejam apresentados à mais alta corte francesa.
Falhas apontadas pela investigação
Segundo o Ministério Público francês, as falhas atribuídas às empresas contribuíram diretamente para o acidente.
Entre os principais pontos levantados estão:
falta de reação rápida da Airbus diante dos problemas recorrentes nas sondas Pitot;
treinamento insuficiente dos pilotos da Air France para lidar com falhas nos sensores;
ausência de alertas adequados às tripulações sobre os riscos já identificados anteriormente.
A tragédia do AF447 segue como um dos casos mais emblemáticos da aviação mundial e um marco nas discussões sobre segurança aérea, treinamento operacional e responsabilidade corporativa.
Fonte: G1 Globo
Foto: Divulgação

