Longa dirigido por Aurélio Michiles mistura documentário e ficção para reconstruir a trajetória do líder estudantil assassinado durante o regime militar
O filme “Honestino”, dirigido por Aurélio Michiles, estreia nesta quinta-feira (13) em 18 cidades brasileiras e recupera a trajetória do líder estudantil Honestino Guimarães, preso e assassinado durante a ditadura militar brasileira. A produção combina registros históricos, imagens de arquivo e cenas ficcionais para reconstruir a história do estudante.
Quem foi Honestino Guimarães
Estudante de Geologia da Universidade de Brasília (UnB), Honestino Guimarães atuou no movimento estudantil e na defesa do ensino público e gratuito. Ele também presidiu a União Nacional dos Estudantes (UNE).
Honestino desapareceu aos 26 anos durante o período da ditadura. A trajetória do líder estudantil é apresentada no filme a partir de registros históricos e de uma reconstrução dramatizada dos acontecimentos.
O ator Bruno Gagliasso interpreta Honestino e afirma que decidiu participar do projeto por considerar que a história do estudante ainda precisa ser conhecida pelas novas gerações.
“O Honestino está dentro de todo mundo que luta por justiça, igualdade e democracia. Eu, como ator e ser humano, entrei de cabeça e de peito aberto por isso”, afirmou.
Produção enfrenta falta de registros
A reconstrução da história de Honestino também enfrentou dificuldades relacionadas à preservação dos arquivos da época. Segundo o diretor Aurélio Michiles, muitos registros de manifestações e reuniões estudantis não foram produzidos porque os próprios participantes evitavam fotografias e filmagens para reduzir o risco de identificação pelos órgãos de repressão.
“Os arquivos desse período são raros para que a repressão não recorresse a imagens e chegasse aos manifestantes”, explicou Michiles.
O diretor utilizou no projeto registros de um filme produzido sobre a invasão da Universidade de Brasília por agentes da ditadura em 1968. O material foi realizado pelo então estudante Hermano Penna e registra a atuação dos agentes de repressão contra estudantes e professores.
Filme mistura documentário e ficção
A escassez de imagens levou a equipe a adotar um formato híbrido. Além dos documentos e registros históricos, “Honestino” utiliza atores para recriar situações relacionadas à trajetória do líder estudantil. A estratégia permite reconstruir acontecimentos para os quais não existem registros audiovisuais suficientes e aproximar o público da história de Honestino.
Produções sobre a ditadura
O filme também reacende o debate sobre a quantidade de produções cinematográficas brasileiras dedicadas à ditadura militar. O produtor Nilson Rodrigues compara a produção nacional com a de outros países da América do Sul que passaram por regimes autoritários.
“Nós fizemos muito pouco. Se nós fizemos cerca de 30 filmes de ficção sobre a ditadura no Brasil, a Argentina fez mais de 100”, afirmou. Gagliasso também defende a produção de novas obras sobre o período e considera que o cinema tem papel na preservação da memória histórica.
“Nunca vai ser o suficiente. Eu acho que quem fala isso, que o Brasil produz muito sobre ditadura, não vê o nosso cinema. A gente faz de tudo. Esse período é também a nossa história”, declarou.
Memória para as novas gerações
O ator relata que familiares de Honestino reconheceram semelhanças entre ele e o estudante após conhecerem a caracterização utilizada no filme.
“Conhecer a nossa história é de fato fazer algo pelo mundo. É não deixar ser apagada. Eu não conhecia a história e é uma vergonha. Eu quero que meus filhos saibam quem foi Honestino Guimarães”, disse.
“Honestino” estreia nesta quinta-feira (13) em 18 cidades brasileiras e utiliza a trajetória do líder estudantil para abordar temas como repressão política, democracia, justiça, igualdade e preservação da memória da ditadura brasileira.
Fonte: Agência Brasil
Foto: Luciana Melo/Divulgação

