Assembleia do Amazonas derruba veto e mantém projeto que prevê canabidiol gratuito pelo SUS

Proposta estabelece fornecimento de medicamentos à base de canabidiol na rede pública estadual mediante prescrição médica e cadastro na Secretaria de Saúde

A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) derrubou, por unanimidade, o veto do governo estadual ao projeto de lei que estabelece o fornecimento gratuito de medicamentos à base de canabidiol pela rede pública de saúde. A medida também alcança unidades privadas conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O projeto determina que o paciente tenha prescrição médica, laudo e cadastro na Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) para receber o medicamento. O tratamento deverá seguir as normas estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A proposta também contempla medicamentos que associam o canabidiol a outros canabinoides, incluindo o tetrahidrocanabinol (THC), desde que respeitados os limites e as condições autorizados pela Anvisa.

Como funcionará o acesso

Pelo texto aprovado pelos deputados, a Secretaria de Estado de Saúde será responsável por garantir o fornecimento dos medicamentos aos pacientes que cumprirem os critérios estabelecidos.

O acesso dependerá de avaliação médica. O paciente deverá apresentar receita e laudo que comprovem a necessidade do tratamento, além de realizar o cadastro junto à Secretaria.

A medida não significa que qualquer paciente poderá receber canabidiol gratuitamente. A utilização depende de indicação profissional e das regras sanitárias aplicáveis a cada produto.

Possíveis benefícios

O canabidiol é uma substância encontrada na planta Cannabis sativa e possui propriedades estudadas para diferentes condições de saúde. Segundo a Anvisa, as evidências mais consolidadas estão relacionadas ao uso de produtos à base de Cannabis em algumas condições neurológicas específicas.

Entre as aplicações com evidências clínicas estão determinados casos de epilepsia grave e resistente a tratamentos convencionais. Produtos contendo canabidiol podem reduzir a frequência de crises em pacientes com síndromes específicas, como Dravet e Lennox-Gastaut, conforme medicamentos e indicações avaliados em estudos clínicos.

O Ministério da Saúde e instituições de pesquisa também destacam que as evidências não são iguais para todas as doenças. Por isso, o medicamento não deve ser tratado como solução generalizada para dores, ansiedade, insônia ou outras condições sem indicação médica.

Efeitos colaterais exigem acompanhamento

Apesar dos possíveis benefícios, o tratamento também pode provocar efeitos adversos. Entre os mais relatados estão sonolência, tontura, fadiga, alterações no apetite, diarreia e mudanças de comportamento.

O canabidiol também pode interferir na ação de outros medicamentos. Em alguns casos, pode haver alterações nas enzimas do fígado, o que torna necessário o acompanhamento médico durante o tratamento.

A presença de THC na composição também exige atenção. Diferentemente do canabidiol, o THC possui efeitos psicoativos e pode provocar alterações na percepção, sonolência e prejuízos à atenção e à coordenação motora.

Por isso, especialistas e órgãos sanitários recomendam que produtos à base de Cannabis sejam utilizados somente com orientação profissional e procedência regularizada.

O que diz a Anvisa

A Anvisa regulamenta produtos derivados de Cannabis para fins medicinais e estabelece critérios relacionados à fabricação, importação, prescrição e comercialização.

A agência também alerta para os riscos de produtos sem procedência ou sem autorização sanitária. A composição e a concentração das substâncias podem variar, além de existir risco de contaminação ou de presença de componentes diferentes dos informados pelo fabricante. Em 2026, a Anvisa atualizou regras relacionadas aos produtos de Cannabis para uso medicinal, ampliando critérios de controle e rastreabilidade.

Governo havia vetado projeto

O governador do Amazonas havia vetado integralmente a proposta. Na justificativa apresentada à Assembleia, o Executivo argumentou que o projeto interfere em atribuições do Poder Executivo ao determinar obrigações para a Secretaria de Estado de Saúde.

O governo também apontou possível impacto financeiro para os cofres estaduais e questionou a ausência de estimativa dos custos necessários para colocar a medida em prática.

Os argumentos, entretanto, foram rejeitados pelos deputados estaduais. O veto foi derrubado por unanimidade durante votação na Aleam. Com a derrubada do veto, o projeto aprovado pelo Legislativo segue para os procedimentos legais necessários antes de sua aplicação.

Fonte: G1 Amazonas

Foto: Aleam

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