Artistas que viveram a chamada “era de ouro” dos anos 1990 relembram desafios enfrentados nos galpões e destacam o crescimento tecnológico e a projeção internacional do espetáculo.
O Festival Folclórico de Parintins chega à sua 59ª edição consolidado como um dos maiores espetáculos culturais do mundo. Por trás da grandiosidade apresentada atualmente no Bumbódromo, artistas veteranos guardam memórias de uma época marcada por poucos recursos financeiros, trabalho voluntário e muita dedicação aos bois-bumbás Caprichoso e Garantido.
A poucos dias do início das apresentações de 2026, trabalhadores que ajudaram a construir a história do festival relembram os bastidores da década de 1990, período considerado por muitos como a “era de ouro” do boi-bumbá, quando as toadas ganharam projeção nacional e levaram a cultura parintinense para todo o país.
Trabalho movido pela paixão
Com 32 anos de atuação no festival, a artista Cirene Maria Barros Penha acompanha de perto a evolução da festa. Atualmente trabalhando na decoração das alegorias do Garantido, ela lembra que, nos anos 1990, a falta de patrocinadores exigia esforço redobrado dos artistas.
“A gente começou e não tinha tanto patrocinador. Então a gente trabalhava mesmo por amor, se doava. Eu saía da minha casa às 7h e só voltava, às vezes, no outro dia. Tínhamos que apresentar as coisas e não havia muito recurso”, relembra.
Mesmo diante da modernização do espetáculo, Cirene afirma que a emoção permanece a mesma quando vê o resultado do trabalho ganhar vida na arena.
“Quando vejo o trabalho saindo do galpão, já quero chorar. Quando a gente vê o trabalho concluído, se sente de alma lavada”, afirmou.
Para a artista, nomes como Arlindo Júnior e Juarez Lima ajudaram a construir a identidade cultural que transformou o Festival de Parintins em referência nacional e internacional.
Tecnologia e grandiosidade transformaram as alegorias
No Boi Caprichoso, o artista plástico Nildo Costa também acompanhou a evolução das alegorias ao longo de mais de três décadas de trabalho. Integrante do boi azul desde 1993, ele viu as estruturas simples dos anos 1990 se transformarem em módulos monumentais equipados com mecanismos, iluminação e efeitos especiais.
Segundo Nildo, a busca constante pela inovação ajudou a consolidar uma marca própria para o Caprichoso.
“O Caprichoso tem uma palavra que é muito bonita: padrão. Padrão Caprichoso. Isso já é uma identidade nossa. O público pode esperar um espetáculo”, destacou.
O artista acredita que a tecnologia ampliou as possibilidades criativas sem apagar a essência artística que sempre caracterizou o festival.
Reta final de preparação para o festival
Na concentração do Bumbódromo, as equipes dos dois bois trabalham nos ajustes finais das alegorias que serão apresentadas nos dias 26, 27 e 28 de junho. Pinturas, instalações de iluminação, testes de movimentos e acabamentos mobilizam centenas de profissionais nos últimos dias antes da abertura oficial da disputa.
Após meses de trabalho nos galpões, as estruturas começam a ocupar os espaços próximos à arena, onde recebem os últimos retoques para surpreender o público e os jurados.
Entre lembranças do passado e expectativas para o futuro, os artistas veteranos enxergam no crescimento do festival a confirmação de que o esforço de gerações ajudou a transformar o boi-bumbá em um patrimônio cultural reconhecido dentro e fora do Brasil.
Fonte: G1 Amazonas
Foto: Reprodução

