Argentinos protestam contra cortes em universidades públicas

Manifestação em Buenos Aires cobra recomposição salarial e repasse de verbas para instituições de ensino superior

Dezenas de milhares de argentinos protestaram nesta terça-feira, 13 de maio, em Buenos Aires contra os cortes de verbas destinados às universidades públicas do país.

A mobilização reúne estudantes, professores e trabalhadores da educação em defesa do financiamento universitário e da recomposição salarial da categoria.

Durante os atos, manifestantes carregaram cartazes com frases como “A educação é um direito, não um privilégio” e “Em defesa da universidade pública”.

Impasse sobre financiamento

Em 2025, o Congresso argentino aprova uma lei para atualizar o orçamento das universidades e reajustar salários de acordo com a inflação.

No entanto, segundo entidades ligadas ao setor educacional, o governo do presidente Javier Milei ainda não implementa os repasses previstos na legislação.

A Federação Universitária de La Plata afirma que a falta de recursos afeta diretamente áreas como pesquisa, bolsas estudantis e permanência acadêmica.

“Sem essa lei, temos menos recursos para ciência, pesquisa, bolsas de estudo e para garantir o acesso dos estudantes à universidade”, afirmou Sofía Martínez Naya, representante da entidade.

Queda salarial

A principal federação de docentes da Argentina informa que os salários dos professores universitários acumulam queda de 33% desde a eleição de Milei.

A professora Carolina Conti, da Faculdade de Ciências Veterinárias da Universidade Nacional de La Plata, afirma que os vencimentos atuais não acompanham a inflação acumulada no país.

“Precisamos assumir vários trabalhos, já que ser apenas professor não é suficiente”, declarou.

Segundo ela, os salários da categoria estão abaixo da linha da pobreza.

Possível ação judicial

Entidades ligadas às universidades afirmam que, caso o financiamento previsto em lei continue sem execução, a expectativa é de que a Suprema Corte argentina seja acionada para analisar o caso.

Até o momento, não há prazo definido para uma eventual decisão judicial sobre o tema.

Fonte: G1 Globo

Foto: Cristina Sille/Reuters

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