Milhares protestam na Espanha contra presença de imigrantes em Ceuta

Manifestações ocorrem em Madri, Barcelona, Bilbao e no território espanhol no norte da África após chegada em massa de imigrantes

Milhares de pessoas vão às ruas em diferentes cidades da Espanha nesta quarta-feira (2) para protestar contra a presença de imigrantes em Ceuta, território espanhol localizado no norte da África. Os atos ocorrem em Ceuta, Madri, Barcelona e Bilbao e são marcados por críticas à política migratória do governo de Pedro Sánchez e pedidos de expulsão de imigrantes.

Em Ceuta, manifestantes percorrem as ruas com bandeiras da Espanha, cartazes e apitos. Parte do grupo pede a saída do primeiro-ministro Pedro Sánchez e defende medidas mais rígidas para o controle das fronteiras.

Protestos ganham força em Ceuta

Entre os cartazes exibidos durante as manifestações estão mensagens como “SOS Ceuta”. Alguns participantes também utilizam bonés com a frase “Make Ceuta Great Again”, em referência ao slogan utilizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em campanhas eleitorais.

Em Madri, manifestantes também se concentram em apoio aos atos de Ceuta. Bandeiras espanholas são erguidas e cartazes criticam o governo de Sánchez.

“Nós temos que apoiar Ceuta. Ceuta é espanhola, não marroquina”, afirma Rocio Notario, moradora de Madri. Os manifestantes também questionam a atuação das autoridades espanholas diante da chegada de imigrantes e acusam o Marrocos de facilitar a passagem pela fronteira.

Confronto durante manifestação

Em Madri, a polícia de choque é acionada para dispersar parte dos manifestantes depois que integrantes do ato bloqueiam ruas e tentam impedir a circulação de veículos policiais. Alguns participantes utilizam barreiras de rua durante o protesto. Até a publicação da reportagem, não há informações sobre prisões ou feridos relacionados aos confrontos.

Crise migratória amplia disputa política

As manifestações acontecem pouco mais de um mês depois da chegada de mais de 70 mil imigrantes a Ceuta, segundo o balanço apresentado pelas autoridades e citado na reportagem.

Mais de 10 mil pessoas, incluindo menores de idade desacompanhados, ainda permanecem em diferentes pontos da cidade, como ruas, praias e acampamentos improvisados.

A crise amplia a disputa entre governo e oposição. Os atos são convocados pela Federação Espanhola de Municípios e Províncias, associada ao Partido Popular, de oposição e de direita. O governo de Pedro Sánchez acusa a oposição de utilizar politicamente a crise migratória.

Em reação às manifestações, grupos de esquerda e sindicatos organizam contraprotestos em cidades como Madri e Barcelona. Os participantes denunciam episódios que classificam como racistas e islamofóbicos contra os imigrantes.

O cenário mantém o debate sobre imigração, controle de fronteiras e acolhimento de pessoas que chegam ao território espanhol no centro da disputa política do país.

Fonte: G1 Mundo

Foto: REUTERS/Violeta Santos Moura

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