Durante cúpula em Assunção, líderes defenderam ampliação de mercados, discutiram a distribuição de benefícios do acordo com a União Europeia e manifestaram apoio à Venezuela e à Bolívia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (30), durante a 68ª Cúpula do Mercosul, em Assunção, que o bloco pretende iniciar, em breve, negociações para uma parceria econômica com a China. Segundo o presidente, o Mercosul também mantém diálogos comerciais com Canadá, Índia e Vietnã, além de lançar tratativas com o Japão.
“O Mercosul está avançando nos diálogos com Canadá, Índia e Vietnã. Nesta cúpula, daremos mais um passo ao lançar as negociações de uma parceria econômica com o Japão. Em breve, queremos fazer o mesmo com a China e seguir nos aproximando dos mercados mais dinâmicos do planeta”, afirmou.
Durante o discurso, Lula também defendeu maior autonomia dos países do bloco nas relações internacionais.
“Ninguém é dono do mundo. E ninguém é dono da América do Sul. Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes”, declarou.
Paraguai cobra equilíbrio no acordo com a União Europeia
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, criticou o que classificou como “assimetrias” na implementação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Segundo Peña, a distribuição das cotas de exportação entre os países do bloco precisa ser revista para garantir benefícios mais equilibrados.
“Se o Mercosul quer ser confiável para fora, primeiro deve ser justo para dentro. O Paraguai mantém sua posição sobre a distribuição das cotas. Isto não é um capricho, isto é justiça”, afirmou.
O presidente paraguaio também destacou que os países-membros possuem estruturas produtivas, logísticas e industriais distintas, o que exige mecanismos que reduzam essas diferenças.
Bloco manifesta solidariedade à Venezuela e apoio à Bolívia
Os chefes de Estado do Mercosul prestaram homenagem às vítimas dos terremotos que atingiram a Venezuela na última semana. A pedido de Lula, foi realizado um minuto de silêncio durante a reunião.
O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, informou que os órgãos de gestão de riscos dos países do bloco iniciaram a coordenação de ações conjuntas para auxiliar o país.
A cúpula também reafirmou apoio ao governo da Bolívia, liderado por Rodrigo Paz, diante da crise política e dos bloqueios rodoviários registrados nas últimas semanas. Peña condenou tentativas de desestabilização institucional, enquanto Orsi manifestou solidariedade ao governo e ao povo bolivianos.
Fonte: G1 Mundo (Com informações da Agência Brasil, France Presse e Reuters)
Foto: Reuters

