Mojtaba Khamenei também orienta autoridades a evitar declarações que, segundo ele, possam enfraquecer a motivação da população durante a guerra com os Estados Unidos
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, determina nesta sexta-feira (28) a proibição de atos que possam prejudicar a chamada “coesão social” no país. Em comunicado divulgado pela imprensa estatal iraniana, o líder também orienta autoridades a evitar declarações que possam enfraquecer a motivação da população em meio à guerra entre Irã e Estados Unidos.
Khamenei, que não aparece publicamente desde o início do conflito, não especifica quais comportamentos ou manifestações passam a ser considerados proibidos pela determinação.
“Eu declaro categoricamente que a prática de qualquer ato que prejudique a coesão social é proibida”, afirma o líder supremo em mensagem publicada nas redes sociais.
Líder pede que autoridades evitem críticas públicas
No comunicado, Khamenei orienta autoridades iranianas a não enfatizarem fraquezas, deficiências ou falhas do país. Segundo ele, manifestações desse tipo podem afetar a população e favorecer os adversários do regime.
“Às vezes, expressar honestamente as próprias fraquezas quando o inimigo precisa de moral é de grande ajuda para ele”, afirma.
A orientação ocorre enquanto o governo iraniano enfrenta um cenário de tensão política e militar. O país está há meses envolvido em um conflito com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que enfrenta pressões internas relacionadas à situação econômica e à oposição ao regime.
Medida ocorre após onda de protestos
Antes do início da guerra, o Irã registra uma série de manifestações contra o regime dos aiatolás. Os protestos começam motivados principalmente pela deterioração das condições econômicas, mas passam a reunir reivindicações mais amplas contra o governo.
Segundo o g1, o regime iraniano responde às manifestações com prisões e execuções de participantes dos protestos.
A nova determinação de Khamenei ocorre, portanto, em um contexto no qual manifestações públicas e críticas ao governo já são alvo de repressão. Como o comunicado não define quais atos se enquadram na proibição, ainda não está claro como a determinação será aplicada pelas autoridades.
Mojtaba Khamenei assumiu liderança após morte do pai
Mojtaba Khamenei ocupa o cargo de líder supremo do Irã após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, durante um ataque de Israel no conflito no Oriente Médio.
O líder supremo exerce uma posição central no sistema político iraniano e possui influência sobre as principais estruturas de poder do país.
Na mensagem divulgada nesta sexta-feira, Mojtaba Khamenei também faz referência aos seis meses de guerra contra os Estados Unidos e elogia a população iraniana pelo apoio ao regime durante o período.
“O querido povo do Irã, que revelou seu verdadeiro valor nos últimos seis meses em diversas manifestações de Jihad contra o inimigo, sua presença nos campos de batalha, sua solidariedade, empatia e companheirismo, merece e deve sentir o apoio das forças e instituições responsáveis da República Islâmica”, afirma.
Tensão aumenta em torno do Estreito de Ormuz
A declaração ocorre em meio a novas tentativas do Irã de negociar com países vizinhos do Golfo Pérsico uma solução para a situação no Estreito de Ormuz, importante rota internacional para o transporte de petróleo.
Teerã busca negociar com países da região sem a participação direta dos Estados Unidos. Paralelamente, as negociações entre iranianos e norte-americanos enfrentam um novo impasse.
O prazo de 60 dias previsto em um memorando de entendimento assinado em junho para que os dois países chegassem a um acordo definitivo de paz termina sem um novo acordo. Até o momento, não há perspectiva clara de retomada das negociações.
A determinação de Mojtaba Khamenei reforça, assim, o discurso de unidade interna adotado pelo regime iraniano durante o conflito, enquanto permanecem as tensões militares, diplomáticas e políticas dentro e fora do país.
Fonte: G1 Mundo
Foto: AFP

