Instagram remove criptografia de ponta a ponta e passa a acessar conteúdo de mensagens

Mudança na política de privacidade da plataforma gera reação de entidades de proteção infantil e defensores da privacidade digital

O Instagram desativa a criptografia de ponta a ponta nas mensagens diretas e passa a ter acesso ao conteúdo compartilhado pelos usuários, incluindo fotos, vídeos, mensagens de voz e textos privados. A mudança entra em vigor nesta sexta-feira, 8 de maio, e marca uma alteração significativa na política de privacidade da Meta, empresa responsável pela plataforma.

A criptografia de ponta a ponta é considerada uma das formas mais seguras de comunicação digital, já que apenas remetente e destinatário conseguem visualizar o conteúdo das mensagens. Com a alteração, o Instagram passa a operar com criptografia padrão, modelo que permite acesso às informações por parte da plataforma em determinadas situações.

Reações divididas

A decisão divide especialistas, organizações de proteção infantil e defensores da privacidade digital.

A Sociedade Nacional de Proteção de Crianças Contra Crueldade (NSPCC), do Reino Unido, afirma que a criptografia dificultava investigações relacionadas a crimes contra menores.

“Pode permitir que autores de crimes deixem de ser detectados, o que faz com que o aliciamento e o abuso infantil passem despercebidos”, afirma Rani Govender, representante da entidade.

Já organizações de defesa da privacidade criticam a medida e apontam riscos à segurança digital dos usuários.

Maya Thomas, da ONG britânica Big Brother Watch, diz que a decisão representa um retrocesso na proteção de dados pessoais.

Mudança de postura

A Meta defendia desde 2019 a ampliação da criptografia de ponta a ponta nas plataformas da empresa e chegou a afirmar que “o futuro é privado”. O recurso é implementado no Facebook Messenger em 2023 e passa a existir de forma opcional no Instagram.

Segundo a empresa, a decisão de abandonar a expansão do recurso ocorre porque poucos usuários aderiram à ferramenta. Especialistas em segurança digital contestam o argumento e afirmam que recursos opcionais costumam ter baixa utilização justamente por dependerem de ativação manual.

Uso de dados e inteligência artificial

A especialista em cibersegurança Victoria Baines afirma que a mudança também pode estar ligada ao interesse das plataformas em ampliar a coleta de dados para treinamento de inteligência artificial.

“As plataformas monetizam nossas comunicações, publicações, curtidas e mensagens para direcionar publicidade segmentada”, analisa.

Hoje, aplicativos como WhatsApp, Signal e iMessage utilizam criptografia de ponta a ponta como padrão. Já plataformas como Telegram oferecem o recurso apenas de forma opcional.

Fonte: G1 Globo

Foto: Getty Images via BBC

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