Variante rara do vírus já soma mais de 500 casos suspeitos e ao menos 130 mortes sob investigação
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, nesta terça-feira (19), que a falta de testes específicos para detectar a variante Bundibugyo do Ebola tem atrasado a resposta ao surto registrado no leste da República Democrática do Congo.
Segundo a entidade, mais de 500 casos suspeitos e ao menos 130 mortes suspeitas já foram registrados. A doença também chegou a Uganda, onde dois casos confirmados foram identificados.
Variante rara dificulta diagnóstico
De acordo com a representante da OMS no Congo, Anne Ancia, a região afetada consegue realizar apenas seis testes por hora para identificar a cepa Bundibugyo, considerada rara e sem vacinas ou tratamentos aprovados.
“Levou semanas para detectar o surto porque os testes usados na região eram voltados à cepa Zaire, que é mais comum”, afirmou.
A OMS informou ainda que existe grande incerteza sobre a dimensão real da epidemia devido à limitação da vigilância epidemiológica e da capacidade de investigação na região.
OMS amplia envio de suprimentos médicos
Para reforçar a resposta ao surto, a organização enviou 12 toneladas de materiais médicos ao Congo e prevê a chegada de outras seis toneladas ainda nesta terça-feira.
Entre os materiais enviados estão:
Equipamentos de proteção individual;
Insumos laboratoriais;
Materiais para coleta de amostras;
Itens para rastreamento de contatos.
As autoridades de saúde tentam ampliar os testes, o monitoramento de contatos e as ações de vigilância epidemiológica.
Especialistas discutem uso emergencial de vacinas
Durante a 79ª Assembleia Mundial da Saúde, realizada em Genebra, especialistas discutem alternativas emergenciais para conter o avanço da doença.
Entre os temas debatidos estão o uso de vacinas já existentes contra outras variantes do Ebola, tratamentos experimentais e ampliação da capacidade de diagnóstico.
A vacina Ervebo, desenvolvida pela farmacêutica Merck para a cepa Zaire, é uma das opções avaliadas após apresentar sinais de proteção cruzada em estudos com animais.
A decisão sobre eventual uso emergencial caberá aos governos do Congo e de Uganda.
Situação humanitária preocupa
A OMS também demonstrou preocupação com a redução de recursos financeiros destinados ao enfrentamento da crise sanitária no Congo.
Segundo Anne Ancia, cortes internacionais em financiamento para saúde afetaram diretamente as operações da organização no país.
O Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários informou que recebeu apenas 34% dos recursos solicitados para ações humanitárias no Congo em 2026.
Conflitos armados dificultam contenção
Especialistas alertam que a situação de segurança no leste do Congo, marcada por conflitos armados e dificuldades logísticas, pode comprometer a contenção do surto e a realização de estudos clínicos.
Além disso, surtos provocados pela variante Bundibugyo são considerados incomuns, o que dificulta respostas rápidas e o desenvolvimento de vacinas específicas.
Meta descrição: OMS alerta que falta de testes específicos dificulta combate ao surto de Ebola no Congo, onde mais de 130 mortes suspeitas já foram registradas.
Fonte: G1 Globo
Foto: BADRU KATUMBA / AFP

