Investigação na França apura abusos contra crianças de 2 a 4 anos em escolas infantis; mais de 30 denúncias foram registradas por famílias
Um brasileiro de 51 anos foi colocado em prisão preventiva pela Justiça francesa sob suspeita de estupro, agressão e exposição sexual de crianças em escolas de educação infantil de Paris. O caso integra uma investigação sobre uma série de abusos sexuais denunciados por famílias de alunos com idades entre 2 e 4 anos.
Segundo o Ministério Público de Paris, além do brasileiro, outro homem também foi preso preventivamente acusado pelos mesmos crimes. Uma terceira investigada, uma monitora escolar, foi liberada, mas segue sob supervisão judicial.
A operação policial ocorreu na quarta-feira (20) e levou 16 pessoas para interrogatório. Três delas foram encaminhadas à Justiça para investigação formal por “atos de natureza sexual”.
O brasileiro, identificado apenas como “C.” pelas autoridades francesas, trabalhava como monitor de oficinas de música em escolas maternais da capital francesa e, segundo a RFI, está entre os principais suspeitos do caso.
Pais relatam mudanças de comportamento nas crianças
As investigações começaram após dezenas de denúncias apresentadas por famílias entre o fim de 2025 e fevereiro deste ano. Muitos pais relataram mudanças bruscas no comportamento dos filhos e afirmaram ter identificado sinais de violência após uma reportagem exibida na televisão francesa.
Uma mãe entrevistada pela RFI afirmou que passou a suspeitar dos abusos depois que o monitor apareceu em uma reportagem gravada com câmera escondida.
“Muitos pais notaram mudanças de comportamento em seus filhos e, conversando na escola, pudemos entender as peças que faltavam do quebra-cabeça. Percebemos que as crianças eram vítimas de violência sexual dentro da pré-escola”, relatou.
Segundo ela, o brasileiro já havia sido alvo de reclamações de pais desde o ano passado por episódios de agressividade e comportamento inadequado com crianças, mas acabou transferido para outra unidade escolar em vez de ser afastado.
O advogado francês Louis Cailliez, que representa famílias envolvidas no caso, afirmou que duas escolas da capital registraram denúncias diretamente relacionadas ao monitor brasileiro.
“Ambas as famílias prestaram queixa por estupro contra ele, que é um dos principais suspeitos deste caso”, declarou.
Relatos apontam abusos e gravações
Outro depoimento obtido pela RFI é de um pai que afirmou ter descoberto os abusos após conversar com o filho de 4 anos.
“Ele começou a nos dizer que essa pessoa o obrigou a dar beijos nas partes íntimas”, relatou.
Segundo o pai, a criança também descreveu a participação de uma monitora que auxiliaria o suspeito durante os abusos.
“Eles isolavam as crianças em dupla. Ou eles os forçavam, ou a monitora dava beijos nas nádegas deles enquanto o outro tirava fotos ou fazia vídeos”, afirmou.
A associação de pais Pequenos Heróis de Saint-Do informou que uma das monitoras chegou a ser flagrada por câmera escondida beijando uma criança na boca.
Famílias criticam autoridades
Pais das vítimas afirmam que houve demora das autoridades para agir, mesmo após as primeiras denúncias. Segundo relatos, algumas famílias não receberam apoio psicológico institucional e precisaram buscar acompanhamento particular para os filhos.
“O único contato real foi o prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, que reconheceu que fatos graves ocorreram. Eles falharam em proteger as crianças”, afirmou um dos pais à RFI.
Em nota, a associação Pequenos Heróis de Saint-Do criticou a prefeitura de Paris e a direção escolar pela condução do caso.
“Apesar das ameaças que sofreram, nossos filhos tiveram coragem de falar. Temos muito orgulho deles e não ficaremos em silêncio”, declarou a entidade.
As investigações seguem em andamento na França.
Fonte: G1 Globo
Foto: Dimitar Dilkoff/AFP

