Hezbollah acusa Israel de violar a trégua firmada após acordo mediado por Estados Unidos e Irã; Teerã afirma que novos ataques são inaceitáveis.
Duas pessoas morreram após disparos efetuados por tropas israelenses no sul do Líbano nesta terça-feira (23), segundo informações da Defesa Civil libanesa e da agência estatal de notícias NNA. O episódio elevou novamente a tensão na região e levou o Hezbollah a acusar Israel de descumprir o cessar-fogo firmado recentemente.
De acordo com a imprensa estatal libanesa, soldados israelenses abriram fogo contra um grupo de pessoas que acompanhava uma escavadeira utilizada na limpeza de uma estrada no bairro Al-Deir, na cidade de Nabatieh al-Fawqa. Além dos dois mortos, outras pessoas ficaram feridas.
O Exército de Israel confirmou a ação militar, mas afirmou ter atingido “terroristas armados” que representavam uma ameaça iminente aos soldados israelenses que atuavam na região. A força militar não comentou diretamente as mortes registradas pelas autoridades libanesas.
Hezbollah denuncia violação da trégua
Após a divulgação do incidente, o Hezbollah afirmou que Israel violou o acordo de cessar-fogo em vigor no sul do Líbano. O grupo acusou as forças israelenses de atacarem civis e informou que houve feridos além das vítimas fatais. Apesar da denúncia, a organização não informou se pretende responder militarmente ao episódio.
O ataque foi o primeiro reivindicado por Israel no território libanês desde domingo e também o primeiro com registro de mortes envolvendo tropas israelenses nos últimos três dias.
Irã faz alerta sobre novas ofensivas
O governo iraniano reagiu ao episódio e classificou como inaceitável qualquer novo ataque contra o Líbano. O país, principal aliado e financiador do Hezbollah, afirmou que violações ao cessar-fogo podem comprometer as negociações para uma paz definitiva na região.
“O Líbano é uma parte inquestionável do acordo. Para o Irã, a linha vermelha é qualquer novo ataque contra o Líbano”, declarou o embaixador iraniano na Organização das Nações Unidas (ONU), Ali Bahreini.
Na segunda-feira (22), Estados Unidos e Irã anunciaram a criação de uma célula de desescalada voltada ao monitoramento da situação no Líbano, como parte dos entendimentos alcançados nas negociações realizadas na Suíça com mediação do Catar e do Paquistão.
Conflito já provocou milhares de vítimas
Desde o início da escalada militar envolvendo Israel e Hezbollah, em março deste ano, mais de 4,1 mil pessoas morreram em território libanês, segundo dados do Ministério da Saúde do país. Entre as vítimas estão mulheres, crianças e profissionais de saúde.
Os confrontos também provocaram o deslocamento de aproximadamente 1,2 milhão de pessoas, que precisaram abandonar suas residências em diversas regiões do Líbano. Do lado israelense, o conflito já deixou ao menos 36 mortos, entre militares e civis, conforme informações divulgadas pelas autoridades locais.
Fonte: G1 Mundo
Foto: Mohammed Zaatari/AP Photo

