Trump afirma que acordo com o Irã ainda não está concluído e ameaça retomar ataques

Presidente dos Estados Unidos diz que memorando de entendimento não representa acordo definitivo e condiciona o fim das ações militares ao cumprimento das exigências americanas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (17) que o entendimento firmado com o Irã para encerrar o conflito iniciado em fevereiro ainda não representa um acordo definitivo e que novas ações militares podem ocorrer caso as negociações não avancem conforme os interesses norte-americanos.

A declaração foi feita durante entrevista coletiva na Cúpula do G7, realizada na França. Segundo Trump, o documento firmado entre os dois países é apenas um memorando de entendimento e ainda depende de definições sobre pontos considerados centrais para a conclusão das negociações.

“É um memorando de entendimento. E se eu não gostar, voltaremos a atirar neles, a bombardear suas cabeças. Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos a bombardear bem no meio da cabeça deles”, declarou.

Programa nuclear segue como principal impasse

O principal ponto ainda sem consenso envolve o programa nuclear iraniano. O governo dos Estados Unidos exige o encerramento completo das atividades nucleares de Teerã, alegando que elas podem ser utilizadas para a produção de armas atômicas. O Irã nega a acusação e sustenta que seu programa possui fins exclusivamente civis.

Segundo informações divulgadas pelos dois governos, as negociações sobre o tema devem continuar pelos próximos 60 dias. Washington também defende a retirada do urânio enriquecido atualmente armazenado em território iraniano.

Sanções econômicas ainda serão negociadas

Outro tema pendente é a suspensão das sanções econômicas impostas ao Irã.

Trump afirmou que o relaxamento das restrições não será imediato e dependerá do cumprimento das condições previstas nas negociações. Já o governo iraniano exige a retomada plena das exportações de petróleo e o acesso aos recursos financeiros bloqueados no exterior.

Além disso, Teerã reivindica compensações financeiras estimadas em US$ 300 bilhões para reconstrução do país após os danos provocados pela guerra.

Estreito de Ormuz permanece sob incerteza

Embora Estados Unidos e Irã tenham anunciado a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio global de petróleo, ainda existem dúvidas sobre a normalização do tráfego na região.

O governo iraniano informou que pretende cobrar taxas de embarcações que utilizarem a passagem marítima, medida que não foi confirmada pelos Estados Unidos. Também há preocupação com minas navais instaladas durante o conflito, que ainda precisam ser localizadas e removidas.

Questões regionais seguem sem definição

As negociações também envolvem a atuação de Israel no Líbano. O Irã exige o fim das operações militares israelenses em território libanês como condição para a consolidação do acordo.

Apesar disso, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que as tropas israelenses permanecerão nas chamadas zonas de segurança enquanto considerarem necessário.

G7 apoia negociações

Durante a cúpula, os líderes do G7 defenderam a continuidade das negociações diplomáticas e reforçaram a posição de que o Irã não deve obter armas nucleares.

O acordo definitivo entre Estados Unidos e Irã está previsto para ser discutido e formalizado na sexta-feira (19), mas diversos pontos estratégicos ainda permanecem sem consenso entre as partes.

Fonte: G1 Mundo

Foto: AFP

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