Caso de racismo e xenofobia contra o meio-campista Prosper Koffi durante a transmissão da Série B do Maranhese, com reação imediata dos clubes e amplo debate sobre o preconceito no futebol brasileiro.
Um episódio de racismo e xenofobia durante a transmissão de uma partida da Série B do Campeonato Maranhense provocou forte reação no futebol brasileiro e mobilizou clubes e dirigentes em defesa do volante camaronês Prosper Koffi, ex-jogador da Princesa do Solimões. O caso ocorreu durante o confronto entre Cordino Esporte Clube e Timon Esporte Clube, no sábado (6), em Barra do Corda (MA).
Comentários ofensivos durante transmissão ao vivo
Durante a transmissão ao vivo no YouTube, narrador e comentarista fizeram falas consideradas ofensivas sobre a origem do atleta, em tom xenofóbico e discriminatório. Em um dos trechos, foi dito: “Esse jogador camarones precisa ser formado nos campos do exército camaronês. Ele passou muito tempo aqui, professor, e não quer mais voltar. Ele está fazendo de tudo para ficar aqui.”
As declarações repercutiram rapidamente nas redes sociais e geraram críticas de torcedores, atletas e entidades esportivas. O jogo terminou com vitória do Timon por 1 a 0.
Passagem pelo futebol amazonense
Prosper Koffi tem forte ligação com o futebol do Amazonas. Entre 2019 e 2024, defendeu a Princesa do Solimões, onde disputou cerca de 70 partidas, marcou um gol e deu uma assistência. No clube, construiu trajetória marcada por regularidade e reconhecimento interno.
O diretor de futebol da equipe, Raphael Maddy, que participou da contratação do atleta, criticou o episódio e saiu em defesa do jogador.
“Eu fiquei muito triste com esses ataques racistas e xenofóbicos. É inaceitável a discriminação, o preconceito e a falta de respeito. A gente não pode deixar que o esporte seja manchado por atitudes de pessoas que não têm consciência da gravidade disso”, afirmou.
Maddy também destacou o perfil do atleta dentro e fora de campo. “O caráter e a dignidade dele são incontestáveis. É um cara família, respeitador, sempre foi um dos mais queridos por todos os grupos que participou aqui no Princesa.”
Resposta do jogador
Abalado com a repercussão, Prosper Koffi se manifestou nas redes sociais e reforçou sua trajetória de dedicação ao futebol.
“Sim. Eu tenho fome! Fome de vencer cada dividida, cada roubada de bola, cada desarme, fome de sempre dar o meu melhor, fome de ajudar o time que estiver atuando, fome de viver dignamente com minha família. Essa é a minha fome.”
A publicação foi interpretada como uma resposta direta ao episódio e recebeu manifestações de apoio de torcedores e profissionais do esporte.
Clubes se posicionam e pedem apuração
O Timon Esporte Clube divulgou nota oficial classificando as falas como incompatíveis com os valores do esporte e reforçando o compromisso com o combate ao preconceito. O clube destacou que o futebol deve ser espaço de inclusão, diversidade e respeito.
Já o Cordino Esporte Clube também se pronunciou, pediu desculpas ao atleta e afirmou que vai apurar o ocorrido e adotar medidas internas. A instituição declarou não compactuar com qualquer forma de racismo ou xenofobia.
Debate sobre responsabilidade nas transmissões
O caso amplia o debate sobre responsabilidade na comunicação esportiva e o papel das transmissões ao vivo na reprodução de discursos discriminatórios, em um cenário em que o futebol brasileiro segue pressionado por episódios recorrentes de racismo.
Fonte: Ge Amazonas
Foto: Arquivo Pessoal

