CFM e Simeam denunciam atraso de até oito meses no pagamento de médicos da rede estadual

Entidades afirmam que profissionais acumulam meses sem receber honorários e anunciam medidas administrativas e judiciais para cobrar regularização dos repasses

O Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) denunciaram atrasos no pagamento de médicos que atuam na rede pública estadual de saúde. Segundo as entidades, profissionais chegam a acumular entre sete e oito meses sem receber pelos serviços prestados, situação que pode comprometer a continuidade da assistência à população.

A denúncia foi apresentada durante reunião realizada na quarta-feira (30), com representantes de empresas prestadoras de serviços médicos. No encontro, as entidades definiram um plano de ação conjunto para cobrar a regularização dos pagamentos.

Entidades anunciam medidas

Entre as medidas previstas estão ações administrativas e judiciais contra o Governo do Amazonas, além da elaboração de uma nota técnica conjunta que será encaminhada à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), ao Ministério Público do Amazonas (MP-AM) e ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM).

Segundo o Simeam, o levantamento aponta que há empresas com débitos acumulados desde 2024 e profissionais que permanecem há vários meses sem receber pelos atendimentos realizados.

As entidades afirmaram que a mobilização não tem como objetivo interromper os atendimentos, mas evitar o agravamento da desassistência na rede estadual.

Médicos relatam dificuldades

Durante a reunião, a médica de urgência e emergência Marilene Maia afirmou que a situação financeira da categoria se tornou insustentável.

“Nós, médicos aqui do Amazonas estamos totalmente insatisfeitos porque nós estamos praticamente sete a oito meses sem receber”, afirmou.

Segundo a médica, diversos profissionais enfrentam dificuldades para arcar com despesas básicas.

“Tem colegas que não têm mais dinheiro para pagar a gasolina, não têm como se locomover. É devendo banco, supermercado, plano de saúde. Nós queremos uma posição sobre o nosso pagamento”, declarou.

CFM classifica situação como grave

Representando o Conselho Federal de Medicina, o conselheiro federal Francisco Cardoso afirmou que o Amazonas vive um dos cenários mais preocupantes do país em relação ao pagamento dos profissionais da saúde.

“Muitos estados ainda têm problemas de pagamento, mas eu quero trazer aqui uma situação grave que acontece no estado do Amazonas”, disse.

O representante do CFM também criticou a abertura de novas contratações enquanto permanecem pendências financeiras com profissionais que já prestaram serviços.

“Não tem pagamento nem desde o ano passado, e aí o governador quer contratar médicos. Governador, você não paga ninguém. Por favor, pague os médicos do Amazonas”, declarou.

Governo ainda não se manifestou

Até a publicação da reportagem original, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) não havia se manifestado sobre as denúncias. O espaço permanece aberto para posicionamento do Governo do Amazonas e dos demais órgãos citados.

Fonte: Rios de Notícias, Conselho Federal de Medicina (CFM) e Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam)

Foto: Rickardo Marques/G1 AM

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