Gianni Infantino afirma que entidade não pode interferir em decisões migratórias dos países-sede
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, classificou como “lamentável” a retirada do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan do quadro de arbitragem da Copa do Mundo de 2026. A declaração foi feita nesta quarta-feira (10), durante coletiva de imprensa realizada no Estádio Azteca, na véspera da abertura do torneio.
Artan foi excluído da competição após ter sua entrada nos Estados Unidos negada pelas autoridades migratórias norte-americanas. A decisão levou a Fifa a retirá-lo da lista de árbitros escalados para o Mundial.
“É lamentável o que aconteceu com Omar. Estamos tentando entender a situação, mas há coisas que não controlamos”, afirmou Infantino.
O dirigente reforçou que a entidade esportiva não possui autonomia para interferir em decisões migratórias dos países que sediam a competição.
“Precisamos reconhecer que não somos os donos do mundo, que podem mandar em governos e forças policiais. Somos uma organização esportiva”, declarou.
Primeiro árbitro somali em uma Copa
Aos 34 anos, Omar Artan faria história ao se tornar o primeiro árbitro da Somália a atuar em uma Copa do Mundo. Integrante do quadro internacional da Fifa desde 2018, ele foi eleito Árbitro do Ano pela Confederação Africana de Futebol em 2025.
A exclusão gerou repercussão internacional e provocou críticas de dirigentes esportivos africanos. Ao retornar à Somália nesta semana, o árbitro foi recebido com homenagens e manifestações de apoio.
Segundo a Fifa, a decisão ocorreu após a confirmação de que as autoridades norte-americanas não alterariam a situação migratória do profissional.
Copa começa nesta quinta-feira
A Copa do Mundo de 2026 terá abertura nesta quinta-feira (11), no Estádio Azteca, com a partida entre as seleções do México e da África do Sul.
Organizada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá, esta será a primeira edição do torneio realizada em três países.
O caso de Omar Artan ocorre em meio a debates sobre as restrições migratórias adotadas pelo governo do presidente Donald Trump, que já afetaram outros participantes e torcedores ligados ao Mundial.
Fonte: G1 Globo
Foto: Foto: REUTERS/Henry Romero

