Israel anuncia operação militar na Cisjordânia após confronto que deixou seis mortos

Confronto entre israelenses e palestinos na região de Tal deixou dois israelenses e quatro palestinos mortos. Israel reforçou tropas e anunciou novas operações militares.

O Exército de Israel anunciou, nesta sexta-feira (24), uma operação militar na Cisjordânia após um confronto na região de Tal que terminou com a morte de dois israelenses e quatro palestinos. A ação ocorre em meio ao aumento da tensão no território ocupado e ao reforço da presença militar israelense na área.

Segundo as Forças de Defesa de Israel (FDI), tropas foram deslocadas após relatos de um ataque contra civis israelenses que participavam de uma excursão nas proximidades do assentamento de Havat Gilad.

Governo anuncia ampliação de assentamentos

Antes do anúncio da operação, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu informou que o governo irá acelerar a regularização de assentamentos agrícolas e criar novos assentamentos na Cisjordânia.

O ministro da Defesa, Israel Katz, também anunciou operações em vilarejos palestinos apontados por Israel como bases de grupos armados.

“O Exército está perseguindo todos os responsáveis pelo ataque”, afirmou o chefe das Forças Armadas israelenses, tenente-general Eyal Zamir.

As autoridades militares suspenderam as licenças de soldados que atuam na Cisjordânia e reforçaram o efetivo na região. De acordo com a agência France-Presse (AFP), postos de controle no norte da Cisjordânia foram fechados e novas tropas foram mobilizadas.

Versões sobre o confronto divergem

Inicialmente, o Exército israelense informou que civis foram atacados durante uma excursão. Posteriormente, afirmou que o episódio envolveu um confronto entre dezenas de israelenses e palestinos.

Segundo a versão israelense, integrantes da equipe de segurança do assentamento e militares foram ao local, onde ocorreu uma troca de tiros. Ainda conforme as FDI, um palestino tomou a arma de um colono e matou um homem de aproximadamente 30 anos. Outro israelense, de 32 anos e integrante da equipe de segurança do assentamento, também morreu.

O Ministério da Saúde palestino informou que quatro palestinos morreram na cidade de Tal e outras quatro pessoas ficaram feridas, sendo três em estado grave.

O presidente do conselho local de Tal, Walid Zidan, contestou a versão apresentada por Israel. Segundo ele, cerca de 20 colonos entraram na cidade antes do início dos confrontos.

“Havia soldados israelenses no local e, junto com os colonos, eles abriram fogo. Foram os colonos que invadiram a aldeia com a intenção de matar, saquear e incendiar propriedades”, afirmou. A AFP informou que não conseguiu verificar de forma independente as versões apresentadas pelas duas partes.

Prisões e novos confrontos

O Exército israelense informou posteriormente que prendeu, em um hospital de Nablus, dois homens suspeitos de envolvimento no confronto. Segundo um funcionário da unidade de saúde, um dos palestinos feridos foi detido juntamente com o irmão.

Também foram registrados novos confrontos em cidades próximas à região de Tal.

O Crescente Vermelho Palestino informou que oito pessoas ficaram feridas em Far’ata, várias delas por disparos de arma de fogo. Outras duas ficaram feridas em Sarra durante ataques atribuídos a colonos israelenses.

O presidente do conselho de Far’ata, Abdel Moneim Shaneh, afirmou que colonos acompanhados por forças israelenses incendiaram plantações de oliveiras. A AFP informou que não conseguiu confirmar essas alegações de forma independente.

Contexto

A violência na Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967, aumentou desde o início da guerra na Faixa de Gaza, em outubro de 2023. Atualmente, mais de 500 mil israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia, onde também residem cerca de 3 milhões de palestinos. Segundo o direito internacional, esses assentamentos são considerados ilegais.

Fonte: G1 Mundo

Foto: Jaafar Ashtiyeh / AFP

Você pode gostar disso

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *