Alcolumbre defende debate nas comissões e indica possível mudança em PEC do fim da escala 6×1

Presidente do Senado afirma que proposta não será votada com urgência e sugere aperfeiçoamentos antes da análise em plenário.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho para 40 horas e extingue a escala 6×1 deverá tramitar pelas comissões da Casa antes de ser analisada em plenário.

A declaração foi feita após questionamento do senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) sobre a previsão de votação da proposta, aprovada recentemente pela Câmara dos Deputados.

Defesa de mais debates

Alcolumbre afirmou que o Senado não deve apenas referendar o texto aprovado pelos deputados e defendeu uma análise mais aprofundada da matéria.

“Quero dizer, como presidente do Senado, que essa proposta vai ter que tramitar nas comissões porque as cobranças de todos os senadores sobre a presidência são que todas as matérias possam passar, no mínimo, por uma comissão”, declarou.

O senador também indicou que a Casa pode promover alterações no texto durante a tramitação.

“Tenho certeza absoluta de que assim como outros senadores, que pensam como eu, seria muito razoável se o Senado pudesse melhorar um texto com essa importância, se os senadores pudessem debater um assunto dessa envergadura com calma”, afirmou.

Tramitação ainda será definida

Segundo Alcolumbre, a definição sobre o rito da proposta deve ocorrer após reunião de líderes partidários prevista para a próxima semana.

O presidente do Senado informou ainda que pretende discutir a tramitação da PEC com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Otto Alencar (PSD-BA). O relator da proposta ainda não foi escolhido.

Críticas à pressa

Durante o pronunciamento, Alcolumbre criticou a pressão para que a PEC seja aprovada rapidamente e destacou que a Câmara dos Deputados debateu o tema durante meses antes da votação.

“Não é razoável que a Câmara dos Deputados passe cinco meses debatendo um assunto muito relevante para o Brasil, para o povo brasileiro, para a nação e também para os trabalhadores e para os empreendedores, e o Senado seja obrigado a carimbar um texto aprovado na Câmara”, disse.

O presidente do Senado ressaltou que não se posiciona favorável nem contrário à proposta neste momento, mas defende a realização de debates com diferentes setores da sociedade.

Posições divergentes

Lideranças governistas defendem que a PEC seja analisada ainda em junho e sem alterações, para evitar que a matéria precise retornar à Câmara dos Deputados.

Por outro lado, parlamentares da oposição apresentaram uma proposta alternativa que mantém a jornada atual e amplia a possibilidade de contratação por hora trabalhada.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), já se manifestou contra a redução da jornada semanal de trabalho.

Próximos passos

A PEC aprovada pela Câmara prevê a redução da jornada de trabalho das atuais 44 para 40 horas semanais, além do fim gradual da escala 6×1, sem redução salarial.

Caso o Senado modifique qualquer trecho do texto, a proposta precisará retornar à Câmara para nova votação antes de seguir para promulgação.

Fonte: G1 Globo

Foto: Lula Marques/Agência Brasil.

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