Presidente dos EUA afirmou que algumas vacinas poderão ser divididas em cinco doses e administradas com intervalos de seis meses
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (18) que o governo pretende exigir mudanças na aplicação de algumas vacinas infantis. Segundo ele, determinados imunizantes deverão ser divididos em cinco doses, administradas com intervalos de seis meses.
Trump afirmou que a alteração poderia provocar uma redução significativa nos casos de autismo. No entanto, ele não apresentou evidências científicas para sustentar uma relação entre vacinação e autismo.
Mudanças no calendário
Durante um evento no Salão Oval da Casa Branca, Trump disse que o governo pretende recomendar que determinadas vacinas sejam aplicadas separadamente e em intervalos maiores.
“Vamos recomendar que sejam aplicadas cinco doses”, afirmou o presidente, segundo a Reuters. Ele também defendeu que as aplicações sejam feitas com intervalos de seis meses.
Trump não informou quais vacinas seriam divididas nem apresentou detalhes sobre como a mudança seria implementada.
A medida ocorre após um decreto assinado pelo presidente em agosto, que determinou mudanças nas recomendações de vacinação infantil nos Estados Unidos. A iniciativa também prevê a revisão de vacinas que integram o calendário de imunização.
Relação com autismo não é comprovada
A afirmação de que vacinas provocam autismo não é respaldada pelas evidências científicas disponíveis. O Ministério da Saúde brasileiro afirma que não existe relação causal entre vacinas e autismo e lembra que um estudo de 1998 que levantou essa hipótese foi considerado gravemente falho e posteriormente retirado da publicação científica.
A Reuters também informou que a proposta de Trump não apresenta evidências científicas de que dividir ou espaçar as doses de vacinas reduza a ocorrência de autismo.
Decreto anterior já previa alterações
O decreto assinado em agosto pelo governo norte-americano reduziu de 18 para 11 o número de doenças contempladas pela recomendação universal de vacinação infantil nos Estados Unidos, segundo levantamento da Reuters.
O documento também recomendou separar a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, em aplicações individuais. Atualmente, porém, não há vacinas individuais licenciadas contra essas três doenças disponíveis nos Estados Unidos, segundo a Reuters.
As mudanças têm sido contestadas por entidades médicas norte-americanas. A Academia Americana de Pediatria afirmou que alterações no calendário podem gerar dúvidas entre os pais e reiterou que estudos realizados ao longo de décadas não encontraram relação entre vacinação e autismo.
Fonte: G1 Mundo
Foto: AP/Julia Demaree Nikhinson

