Presidente aponta dificuldades até setembro e cobra reação internacional diante de ataques russos e entraves diplomáticos
A Ucrânia projeta um período de forte pressão política e militar nos próximos meses, com risco de agravamento do conflito até o segundo semestre. A avaliação é do presidente Volodymyr Zelensky, que aponta dificuldades tanto no avanço das negociações diplomáticas quanto na linha de frente da guerra contra a Rússia.
“Este período de primavera-verão será bastante difícil política e diplomaticamente. Pode haver pressão sobre a Ucrânia. Também haverá pressão no campo de batalha”, afirma o presidente, ao indicar que o cenário tende a se manter crítico pelo menos até setembro.
Pressão internacional e energia
O governo ucraniano enfrenta cobranças de aliados para reduzir ataques a instalações petrolíferas russas, em meio à alta global dos preços de energia. A tensão é ampliada pelo contexto da guerra envolvendo o Irã e instabilidade no Oriente Médio, que impacta diretamente o mercado internacional.
Apesar disso, Zelensky mantém a estratégia de retaliação. “Após qualquer ataque ao nosso setor energético, nós respondemos e isso é totalmente justo”, diz, ao condicionar uma possível redução das ofensivas à interrupção de ataques russos contra infraestrutura ucraniana.
Os alvos recentes incluem terminais estratégicos como o porto de Ust-Luga, no Mar Báltico, considerados centrais para a exportação de petróleo russo.
Negociações travadas
O presidente também pressiona pela retomada de negociações de paz em formato trilateral, com mediação dos Estados Unidos. Até agora, as tentativas não avançam, principalmente por impasses territoriais.
A Ucrânia rejeita ceder áreas do leste, especialmente na região de Donbas, enquanto a Rússia mantém exigências consideradas inaceitáveis por Kiev.
Zelensky sinaliza que uma janela para avanços diplomáticos pode surgir nos próximos três meses, mas admite resistência internacional. Segundo ele, os Estados Unidos demonstram menor disposição para intensificar o envolvimento nas tratativas.
Escalada militar
No campo militar, o cenário segue de intensificação. A guerra se estende por mais de 1.200 quilômetros de frente, com uso crescente de drones e ataques a longa distância por ambos os lados.
A estratégia ucraniana de atingir a infraestrutura energética russa busca reduzir receitas de Moscou e pressionar economicamente o adversário. Em resposta, a Rússia mantém ofensivas constantes contra instalações críticas da Ucrânia.
O quadro geral aponta para um impasse prolongado, com pressão simultânea sobre decisões políticas e capacidade operacional do país.
Fonte: Reuters
Foto: EPA/Shutterstock

