Espaços históricos de Manaus e Belém foram incluídos na lista internacional da Unesco por representarem a riqueza cultural e arquitetônica da Amazônia no período da economia da borracha.
O Teatro Amazonas, em Manaus (AM), e o Theatro da Paz, em Belém (PA), receberam o título de Patrimônio Mundial Cultural da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A candidatura conjunta dos dois espaços, apresentada sob o nome “Teatros da Amazônia”, foi aprovada nesta segunda-feira (27).
Inaugurados no século XIX, durante o período de expansão econômica provocado pelo ciclo da borracha, os dois teatros representam um momento de grande transformação urbana e cultural na região amazônica. As construções reúnem influências arquitetônicas europeias e foram criadas com o objetivo de promover apresentações artísticas e culturais.
O reconhecimento marca a 26ª inserção de um bem brasileiro na lista internacional da Unesco entre patrimônios culturais, naturais ou mistos.
Teatros representam auge do ciclo da borracha
A candidatura conjunta levou em consideração a relação histórica entre os dois espaços, construídos em um período em que a Amazônia ganhou destaque no cenário econômico mundial devido à produção e exportação do látex.
Apesar de separados por 18 anos de diferença nas inaugurações, os teatros apresentam características semelhantes, como o uso de materiais importados da Europa e a intenção de aproximar a região dos grandes centros culturais internacionais.
Teatro Amazonas preserva arquitetura histórica em Manaus
Inaugurado em 1896, no Centro Histórico de Manaus, o Teatro Amazonas foi construído durante o auge da riqueza proporcionada pela borracha.
O projeto arquitetônico foi elaborado a partir da proposta do deputado provincial Antônio José Fernandes Júnior e desenvolvido pelo Gabinete Português de Engenharia e Arquitetura de Lisboa. A execução da obra ficou sob responsabilidade do arquiteto italiano Celestial Sacardim.
Com estilo renascentista e elementos neoclássicos em sua decoração interna, o teatro recebeu grande parte dos materiais utilizados em sua estrutura da Europa. Um dos símbolos mais conhecidos é a cúpula central formada por 36 mil peças nas cores da bandeira brasileira, importadas da região da Alsácia, na França.
O espaço também abriga obras de artistas como Domenico de Angelis, responsável pelo afresco “A Glorificação das Bellas Artes na Amazônia”, localizado no Salão Nobre.
O Teatro Amazonas é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Histórico Nacional desde 1966.
Theatro da Paz marca história cultural de Belém
O Theatro da Paz foi inaugurado em 1878 e teve como inspiração o Teatro alla Scala, de Milão, na Itália. Projetado pelo engenheiro José Tibúrcio Pereira Magalhães, o espaço foi construído entre 1869 e 1874, mas teve a inauguração adiada por investigações relacionadas aos custos da obra.
A construção combina o estilo neoclássico com elementos ligados à identidade amazônica e foi planejada para receber espetáculos de ópera, contando com estrutura acústica projetada para equilibrar a música da orquestra e a voz dos cantores.
Considerado o primeiro teatro de ópera da Amazônia e um dos primeiros teatros líricos do Brasil, o espaço também possui o título de teatro-monumento e é reconhecido como patrimônio histórico pelo Iphan.

Reconhecimento amplia visibilidade da Amazônia
Com o novo título internacional, os dois teatros passam a integrar uma lista de bens reconhecidos mundialmente pela importância histórica, cultural e arquitetônica.
A inclusão dos Teatros da Amazônia reforça o papel dos espaços como símbolos da identidade regional e da preservação da memória artística construída durante um dos períodos mais marcantes da história econômica da região.
Fonte: Agência Brasil
Foto: Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil

