Treinadora comportamental afirma que influência, inteligência emocional e autoconhecimento são pilares da liderança moderna
Comunicação, comportamento humano e liderança caminham juntos no ambiente profissional. Para a jornalista e treinadora comportamental Hélida Tavares, desenvolver habilidades de comunicação é fundamental para construir uma liderança eficiente tanto no setor público quanto no privado.
Durante entrevista à TV Encontro das Águas, Hélida afirmou que o mercado atual exige mais do que domínio técnico e capacidade de gestão.
“Tudo está ligado ao comportamento. Esse é o grande desafio, principalmente após a pandemia, quando as pessoas passaram a olhar mais para o comportamento humano. Tanto no setor público quanto no privado, os resultados passam pelo desenvolvimento humano”, destacou.
Pesquisa aponta mudança no perfil da liderança
Dados da pesquisa “Panorama da Liderança 2024”, realizada pela Amcham Brasil em parceria com a Humanizadas, mostram que 94% dos líderes entrevistados associam bem-estar, motivação e produtividade no ambiente de trabalho.
O levantamento ouviu 780 líderes empresariais de todo o país, principalmente executivos de nível C-Level, ligados a empresas que representam cerca de 1 milhão de empregos e faturamento anual estimado em R$ 1,3 trilhão.
Entre as características mais valorizadas pelos executivos estão liderança inspiradora, pensamento estratégico e inteligência emocional.
Segundo o estudo, 63% acreditam que líderes precisam inspirar equipes, enquanto 61% apontam a antecipação de mudanças e o gerenciamento emocional como competências essenciais.
Influência substitui modelo baseado apenas em autoridade
Para Hélida Tavares, a liderança atual está mais ligada à capacidade de conexão do que à hierarquia tradicional.
“Liderança não é cargo, é comportamento. Você lidera pela influência e pela capacidade de inspirar o outro a fazer o que precisa ser feito”, afirmou.
A especialista ressaltou ainda que a autoliderança é um passo indispensável para quem deseja liderar equipes.
“Conhecer os próprios pontos cegos comportamentais é o primeiro passo para se tornar um gestor melhor”, explicou.
Ela também destacou que não existe apenas um perfil ideal de líder e que as habilidades podem ser desenvolvidas ao longo da trajetória profissional.
“A boa notícia é que liderança pode ser aprendida e desenvolvida. Com acesso ao conhecimento e disposição para evoluir, qualquer pessoa pode aprimorar suas habilidades ao longo da carreira”, disse.
Soft skills ganham espaço no mercado
Entre as competências mais exigidas atualmente estão as chamadas “soft skills”, como inteligência emocional, comunicação, trabalho em equipe, proatividade e resiliência.
Segundo Hélida, o comportamento continua sendo decisivo dentro das organizações.
“O mercado contrata pelo currículo técnico, mas demite pelo comportamento”, pontuou.
Ela reforçou ainda a importância da escuta ativa e da clareza na comunicação entre líderes e equipes.
“Muitas pessoas acreditam que comunicação é um dom nato, mas trata-se de uma habilidade treinável. O maior erro é acreditar que aquilo que foi dito foi exatamente o que o outro compreendeu”, afirmou.
Comportamentos da infância influenciam relações profissionais
A especialista também explicou que padrões aprendidos no ambiente familiar podem impactar diretamente a forma como as pessoas se comunicam e exercem liderança no trabalho.
Segundo ela, muitos desses comportamentos precisam ser identificados e ressignificados ao longo da vida profissional.
“Muitos modelos adquiridos na infância não servem integralmente para o mercado de trabalho atual, que exige novas formas de comunicação, relacionamento e liderança”, concluiu.
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Edilânea Souza
Jornalista e Assessora de Imprensa
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