A intensificação do conflito no Oriente Médio, que ganha força desde os ataques de outubro de 2023 e se amplia com a atuação de atores regionais, entra em uma nova fase de incerteza. Em meio a esse cenário, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirma que não há perspectiva de solução no curto prazo, mas cobra avanço nas articulações internacionais.
“Não há uma saída óbvia a curto prazo para a escalada regional em curso, que de certa forma vem se desenrolando desde 7 de outubro de 2023. Mas isso não deve, de forma alguma, servir de pretexto para a inação”, diz, após reunião com o chanceler de Israel, Gideon Saar, em Tel Aviv.
A declaração ocorre em um momento em que o conflito deixa de ser localizado e assume caráter regional. Além dos confrontos diretos envolvendo Israel, ataques do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, a partir do Líbano, ampliam a tensão e aumentam o risco de guerra em múltiplas frentes.
O clima de instabilidade se confirma durante a própria agenda diplomática. Enquanto o ministro francês concede entrevista, sirenes são acionadas após alerta de lançamento de mísseis iranianos em direção a Israel, obrigando autoridades e jornalistas a buscarem abrigo.
A visita de Barrot integra uma tentativa de reposicionar a França como mediadora ativa no conflito, em articulação com os Estados Unidos. Antes de chegar a Israel, ele passa pelo Líbano, onde tenta avançar em negociações por um cessar-fogo e reduzir a escalada militar.
O chanceler francês afirma que Paris vê com preocupação uma possível operação terrestre israelense no sul libanês. Ao mesmo tempo, pressiona o governo local a cumprir o compromisso de desarmar o Hezbollah, ponto considerado sensível diante do risco de instabilidade interna.
Nos bastidores, o impasse político expõe os limites da diplomacia. Israel rejeita a abertura de negociações diretas com Beirute, classificando a proposta como tardia. Já o governo libanês evita confronto direto com o Hezbollah por receio de desencadear uma guerra civil.
O presidente libanês, Joseph Aoun, demonstra disposição para o diálogo, mas a iniciativa não avança diante da resistência do Hezbollah, que mantém as ações militares.
Na frente internacional, a França apresenta contrapropostas às sugestões dos Estados Unidos para encerrar o conflito. Segundo diplomatas, Washington reage com cautela e Israel rejeita os termos apresentados. O resultado é um cenário de paralisia diplomática, com negociações em curso, mas sem avanço concreto.

