Documento de Donald Trump acusa Brasil de não combater as facções de forma suficiente; governo brasileiro contesta avaliação e cita medidas adotadas contra o crime organizado
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera grave o relatório enviado pelos Estados Unidos ao Congresso americano que acusa o Brasil de não combater de forma suficiente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
O documento foi enviado na terça-feira (15) pelo presidente Donald Trump e divulgado pelo Departamento de Estado no dia seguinte. No texto, o governo americano cobra do Brasil a adoção urgente de medidas contra as duas organizações criminosas, recentemente classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas.
Risco de ações militares
Integrantes da área internacional do governo brasileiro avaliam que o relatório relaciona o crime organizado e o tráfico de drogas à segurança nacional dos Estados Unidos. Na avaliação desses auxiliares, essa associação poderia abrir espaço para ações militarizadas americanas sem autorização prevista pelo direito internacional.
O governo brasileiro cita como referência a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, ocorrida em janeiro deste ano, depois de acusações relacionadas ao narcoterrorismo e ao tráfico de drogas.
A avaliação, no entanto, é apresentada como uma preocupação de integrantes do governo brasileiro, e não como uma indicação de que os Estados Unidos tenham anunciado uma operação militar contra o Brasil.
Críticas do governo americano
O relatório de Trump afirma que o Brasil não adotou medidas suficientes contra o PCC e o CV. O documento também classifica as duas organizações como uma ameaça crescente à segurança internacional e cobra ações mais firmes para impedir a expansão dos grupos.
Apesar das críticas, o Brasil não foi incluído formalmente entre os países classificados pelos Estados Unidos como grandes produtores ou principais rotas de drogas no documento. A manifestação sobre o combate às facções aparece na parte narrativa do relatório.
Governo brasileiro contesta relatório
O Ministério da Justiça rejeitou a avaliação de que o Brasil tenha sido omisso no combate ao crime organizado transnacional.
Em nota, o governo brasileiro afirmou que a menção feita pelos Estados Unidos não corresponde à categoria jurídica de descumprimento formal prevista na legislação americana responsável pelo relatório.
A pasta também citou a aprovação da Lei Antifacção e a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado transnacional. O governo argumenta que essas medidas não foram consideradas na avaliação americana.
A reação ocorre em meio às discussões sobre a classificação do PCC e do CV pelos Estados Unidos e às divergências entre os governos brasileiro e americano sobre as estratégias de enfrentamento ao crime organizado.
Fonte: G1 Mundo
Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

