Endividamento atinge quase 70% dos brasileiros e 41% não quitam dívidas com amigos e familiares

Pesquisa Datafolha revela avanço da inadimplência e pressão financeira sobre famílias em todo o país

Conviver com dívidas é realidade para a maioria dos brasileiros. Levantamento do Datafolha aponta que cerca de 70% da população possui algum tipo de endividamento, incluindo débitos com bancos, comércio e até com pessoas próximas.

O estudo ouviu 2.002 pessoas em todas as regiões do país, entre os dias 8 e 9 de abril de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Um dado chama atenção pela quebra de confiança nas relações pessoais. Entre os entrevistados que recorreram a empréstimos com amigos ou familiares, 41% afirmam não ter devolvido o dinheiro. O número expõe um cenário em que a crise financeira ultrapassa o sistema bancário e impacta vínculos sociais.

Inadimplência e tipos de dívida

Entre os brasileiros endividados, o cartão de crédito aparece como principal foco de inadimplência. Cerca de 29% estão com parcelas atrasadas. Em seguida vêm empréstimos bancários, com 26%, e carnês de lojas, com 25%.

O levantamento também identifica atraso em contas básicas. Aproximadamente 28% dos entrevistados têm dívidas relacionadas a serviços essenciais. Telefonia e internet lideram com 12%, seguidas por tributos como IPTU e IPVA, também com 12%. Energia elétrica aparece com 11% e água com 9%.

Crédito rotativo como fator de risco

O uso do crédito rotativo segue como um dos principais agravantes. Segundo a pesquisa, 27% dos entrevistados recorrem a essa modalidade. Desses, 5% utilizam com frequência, enquanto 22% usam de forma ocasional.

Na prática, trata-se de uma armadilha financeira. O rotativo é acionado quando o consumidor paga apenas o valor mínimo da fatura do cartão, gerando juros elevados e crescimento acelerado da dívida.

Pressão no orçamento

A pesquisa mostra que 45% dos brasileiros vivem sob forte pressão financeira. Desse total, 27% estão em situação considerada apertada e 18% enfrentam condição severa. Outros 36% relatam dificuldade moderada, enquanto apenas 19% têm situação estável ou com poucas restrições.

O impacto já atinge o consumo básico. Cerca de 64% reduziram gastos com lazer. Outros 60% deixaram de comer fora e passaram a optar por marcas mais baratas. A redução na compra de alimentos atinge 52% dos entrevistados.

Além disso, metade da população cortou despesas com serviços essenciais como água, luz e gás. Em um cenário mais crítico, 40% deixaram contas vencerem e 38% interromperam pagamento de dívidas ou até a compra de medicamentos.

Impacto direto na vida cotidiana

A crise financeira já é percebida como principal problema pessoal. Segundo o levantamento, 37% dos brasileiros apontam questões econômicas como maior preocupação, citando baixa renda, endividamento e custo de vida elevado.

O dado consolida um cenário de pressão contínua sobre as famílias, com efeitos que vão além das finanças e atingem saúde, consumo e relações sociais.

Fonte: G1 Globo

Foto: Reprodução/ G1

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