Levantamento da Fundação Getulio Vargas aponta queda geral de preços, enquanto itens industrializados seguem pressionados
Queda geral não chega a todos os produtos
A cesta de produtos da Páscoa fica 5,73% mais barata em 2026, segundo a Fundação Getulio Vargas, marcando o segundo ano seguido de queda. Ainda assim, a redução não é sentida de forma igual entre todos os itens, já que alguns continuam em alta.
Enquanto a inflação geral registra avanço de 3,18%, o recuo nos preços da cesta indica um alívio parcial, mas não suficiente para equilibrar todos os custos do consumidor.
Chocolates seguem como principais vilões
Os chocolates e bombons sobem 16,71%, ficando bem acima da inflação e puxando o custo final da cesta. Outros itens também apresentam aumento, como o bacalhau, sardinha e atum, o que mantém a pressão sobre o orçamento.
Por outro lado, produtos básicos como arroz, ovos e azeite registram queda, ajudando a reduzir o impacto geral, embora não compensem totalmente a alta dos industrializados.
Preço varia ao longo dos anos
Nos últimos quatro anos, os preços da Páscoa alternam entre alta e queda, com dois anos de inflação e dois de deflação. No acumulado, a alta chega a 15,37%, próxima da inflação geral do período.
Segundo Matheus Dias, o comportamento mostra que, mesmo com oscilações, os preços seguem pressionados no longo prazo.
Queda de custos demora a chegar ao consumidor
Mesmo com a queda do cacau no mercado internacional, o preço dos chocolates continua alto. Isso ocorre porque produtos industrializados têm repasse mais lento das reduções de custo.
“Em produtos mais industrializados, a queda da matéria-prima demora a chegar ao bolso do consumidor nos últimos anos”, explica Matheus Dias.
Poucas empresas dominam o mercado
A concentração do setor também influencia os preços, já que poucas empresas controlam grande parte da produção de chocolates. Isso reduz a concorrência e dificulta quedas mais rápidas.
De acordo com Valter Palmieri Junior, esse cenário mantém os preços elevados mesmo quando há redução nos custos.
Indústria cita vários custos na produção
A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados afirma que fatores como leite, açúcar, transporte e dólar também impactam os preços. Além disso, problemas na produção global influenciam o mercado.
A entidade destaca que o El Niño afetou plantações de cacau na África, reduzindo a oferta e pressionando os valores.
Consumo deve continuar alto
Mesmo com os preços, a expectativa é de forte consumo, impulsionado pela tradição da data. A indústria projeta aumento na geração de empregos temporários neste período.
Pesquisa do Instituto Locomotiva aponta que 90% dos consumidores pretendem comprar produtos de Páscoa, mantendo o mercado aquecido.
Fonte: Agência Brasil

