Medidas determinadas por Alexandre de Moraes também incluem recolhimento de passaportes e proibição de deixar o país
O prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), passou a usar tornozeleira eletrônica por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão ocorre no âmbito da Operação Dinastia do Lago, da Polícia Federal (PF), que investiga suspeitas de crimes relacionados a contratos da Prefeitura de Coari.
Além do monitoramento eletrônico, Adail Pinheiro e outros investigados tiveram os passaportes recolhidos e estão proibidos de deixar o país. As medidas cautelares também atingem ex-secretários municipais e outros investigados no caso.
Investigados são alvo de medidas cautelares
Entre os atingidos pelas medidas estão Adail Pinheiro e cinco ex-secretários municipais. Também foram incluídos outros investigados, entre eles os empresários Cesar de Jesus Glória Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho.
Os três empresários foram presos em maio de 2025 no Aeroporto de Brasília transportando cerca de R$ 1,25 milhão em espécie em um voo entre Manaus e Brasília. O episódio deu origem às investigações.
O caso apura suspeitas de fraude em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção, lavagem de dinheiro e peculato envolvendo contratos do município. A investigação ainda está em andamento e os citados não são apresentados como condenados.
Prefeito já havia sido afastado
Adail Pinheiro já havia sido afastado da Prefeitura de Coari por decisão de Alexandre de Moraes. O afastamento foi determinado em 16 de setembro e tem duração prevista de 90 dias. A medida também alcançou secretários municipais investigados.
Após o afastamento, a presidente da Câmara Municipal de Coari, Jeany Pinheiro (Republicanos), assumiu interinamente a prefeitura. Ela é irmã de Adail Pinheiro.
A operação cumpriu 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari. O principal alvo da investigação é o deputado federal Adail Filho (MDB-AM), filho do prefeito.
Como começou a investigação
A investigação começou após a apreensão de aproximadamente R$ 1,25 milhão em espécie com três empresários no Aeroporto de Brasília, em maio de 2025. Segundo o processo, documentos e aparelhos eletrônicos recolhidos posteriormente indicaram movimentações financeiras consideradas suspeitas e possíveis relações com contratos da Prefeitura de Coari.
As apurações também identificaram empresas ligadas aos investigados que mantinham contratos com o município e que, segundo a investigação, podem ter sido utilizadas para fraudar licitações. O caso envolve ainda repasses de emendas parlamentares destinadas a Coari nos anos de 2024 e 2025.
Segundo despacho de Alexandre de Moraes, documentos e dispositivos apreendidos indicaram possíveis repasses financeiros de empresas vinculadas aos investigados em benefício de Adail Filho e Adail Pinheiro.
A investigação foi aberta no STF após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Em junho de 2026, Moraes prorrogou o inquérito por mais 60 dias após solicitação da Polícia Federal.
A defesa de Adail Pinheiro e Adail Filho afirmou anteriormente que recebeu a operação “com surpresa” e classificou o afastamento do prefeito como desnecessário. Os advogados também disseram que os investigados não são réus nem possuem condenação relacionada ao caso.
O g1 informou que tentava localizar a defesa dos demais investigados para comentar as novas medidas cautelares.
Fonte: G1 AM
Foto: Divulgação

