Mulheres indígenas avançam na política e visitam Câmara em meio a mobilização nacional

Pré-candidatas do Amazonas e Tocantins percorrem Congresso durante o Acampamento Terra Livre e defendem ampliação da representatividade indígena

Ampliar a presença indígena e feminina no Congresso Nacional. Esse é o objetivo que move as lideranças Vanda Witoto (MDB) e Narubia Werreria (PT) , que percorreram, nesta quarta-feira (8), os corredores da Câmara dos Deputados, em Brasília, durante a mobilização do Acampamento Terra Livre 2026.

A visita tem caráter simbólico, mas carrega um recado político direto. As duas se colocam como pré-candidatas à Câmara Federal nas eleições de 2026 e tratam o gesto como antecipação de um espaço que pretendem ocupar.

“Conhecer essa casa é muito importante, primeiro que é a casa do povo, então deve receber o povo. Esse grande movimento que estamos fazendo, de ampliar essa bancada indígena aqui, é muito importante para a gente saber como funcionam os bastidores da política”, afirma Vanda Witoto.

Representatividade ainda limitada

Hoje, a presença indígena feminina na Câmara é mínima. Apenas duas deputadas indígenas ocupam cadeiras: Sônia Guajajara (PSOL) e Célia Xakriabá (PSOL).

O dado escancara o problema. Em um país com mais de 391 povos indígenas, a representação institucional ainda é residual. Para as pré-candidatas, o cenário exige estratégia e articulação política.

Estratégia eleitoral e filiação partidária

Vanda Witoto disputa pelo (MDB), partido ligado ao senador Eduardo Braga. A escolha gerou críticas, mas ela responde de forma pragmática.

“A gente vem de um amadurecimento político e o MDB nos ofereceu uma estrutura melhor para fazer essa caminhada em 2026, com chance real de alcançar o coeficiente eleitoral. O que vamos lutar agora é por voto”.

Ela já tem histórico eleitoral. Em 2022, recebeu quase 26 mil votos para deputada federal. Em 2024, obteve cerca de 9 mil votos para vereadora em Manaus, mas não se elegeu.

Discurso de reparação histórica

Já Narubia Werreria, do povo Iny Karajá, disputa pelo (PT) e adota uma linha mais direta, baseada em reparação histórica e enfrentamento estrutural.

“Esse país é fundado na violência contra as mulheres indígenas. Sermos eleitas deputadas é reverter essa lógica, é uma reparação histórica, efetiva e simbólica”.

Ela também destaca o acúmulo de discriminações.

“Nós viemos porque construímos uma trajetória de luta, mesmo sofrendo triplos preconceitos por ser mulher, por ser indígena, por ser LGBT”.

Narubia foi a primeira secretária de Estado dos povos originários e tradicionais do Tocantins, o que reforça sua experiência institucional.

Pressão política em ano estratégico

A movimentação ocorre dentro do ATL 2026, realizado entre 5 e 11 de abril, no Eixo Cultural Ibero-Americano, em Brasília, com participação de cerca de 7 mil a 8 mil pessoas.

Fonte: BNC Amazonas

Foto: Divulgação

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