‘Lista suja’ do trabalho escravo ganha seis novos registros no Amazonas

Amazonas empata com o Maranhão em número de novas inclusões e fica atrás apenas de Minas Gerais e Bahia na atualização de outubro

O Amazonas teve seis novos registros incluídos no Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como ‘lista suja’. A atualização foi divulgada nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e reúne casos identificados em fiscalizações realizadas entre 2024 e 2026.

Com seis registros, o Amazonas aparece empatado com o Maranhão entre os estados com mais novas inclusões. Minas Gerais lidera a atualização, com 19 casos, seguido pela Bahia, com oito. Ao todo, 82 novos empregadores foram incluídos no cadastro em 21 estados.

Os registros no Amazonas envolvem diferentes situações de trabalho análogo à escravidão, incluindo casos relacionados ao garimpo e ao trabalho doméstico. As fiscalizações contam, conforme o caso, com a participação de auditores-fiscais do trabalho, Polícia Federal, Ministério Público do Trabalho e Defensoria Pública da União.

Nomes incluídos no Amazonas

Os seis registros adicionados ao cadastro no estado são:

Centro de Equoterapia Manaus, com dois trabalhadores resgatados em ação fiscal de 2024.

Francisco Roberto Alencar Bandeira, com dois trabalhadores resgatados em fiscalização de 2025.

Gerson Vieira da Silva, com 50 trabalhadores resgatados em ação fiscal de 2024.

Gerson Vieira da Silva, novamente, com quatro trabalhadores resgatados em fiscalização de 2025.

Ivan Belizario da Silva, com dois trabalhadores resgatados em ação fiscal de 2026.

Thiago Trindade de Assis, com um trabalhador resgatado em fiscalização de 2026.

O nome de Gerson Vieira da Silva aparece duas vezes no cadastro por autuações distintas.

Garimpo ilegal

Um dos registros de maior repercussão envolve Gerson Vieira da Silva, relacionado a fiscalizações em atividades de extração de minérios no Amazonas.

Em uma ação fiscal realizada em 2025, 50 trabalhadores foram resgatados em condições análogas à escravidão em um garimpo ilegal no município de Maués.

O caso também foi alvo de investigações da Polícia Federal. Posteriormente, Gerson Vieira da Silva passou a ser investigado na Operação Barões do Filão, que apura um esquema envolvendo garimpo ilegal e exploração de trabalhadores no estado.

Em janeiro de 2026, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Herman Benjamin, negou um pedido para revogar a prisão preventiva do investigado. Segundo o Ministério Público, ele seria um dos principais articuladores da extração e comercialização ilegal de ouro na região.

Trabalho doméstico

Outro registro incluído na atualização é o de Thiago Trindade de Assis, relacionado ao resgate de uma trabalhadora doméstica de 34 anos em Manaus.

A fiscalização ocorreu em junho de 2025, no bairro Ponta Negra, Zona Oeste da capital, durante uma operação conjunta do Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho, Polícia Federal e Defensoria Pública da União.

Segundo as autoridades, a mulher foi levada para a casa da família aos 12 anos sob a promessa de que teria acesso a estudo e melhores condições de vida. Ela permaneceu no local por mais de duas décadas realizando trabalho doméstico sem salário fixo e sem acesso a direitos trabalhistas básicos.

Como funciona a ‘lista suja’

Os empregadores só são incluídos no cadastro depois da conclusão do processo administrativo relacionado à autuação por trabalho análogo à escravidão, quando há decisão definitiva pela procedência da infração.

Durante o processo, os empregadores têm direito à defesa e ao contraditório. A inclusão no cadastro não depende de condenação criminal.

Em regra, os nomes permanecem publicados por dois anos. Na atualização de outubro, 151 empregadores deixaram o cadastro por terem completado esse período.

A atualização ocorre semestralmente e tem como objetivo dar transparência às ações fiscais de combate ao trabalho análogo à escravidão.

Panorama nacional

Dos 82 novos empregadores incluídos em outubro, 54 são pessoas físicas e 28 são pessoas jurídicas. Os casos identificados pelas fiscalizações envolvem 553 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão.

Entre as atividades econômicas com maior número de novas inclusões estão a criação de bovinos para corte, com oito registros, os serviços domésticos, com sete, a produção de carvão vegetal, com seis, o cultivo de café, também com seis, e a construção de edifícios, com cinco.

Denúncias

Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma remota e sigilosa pelo Sistema Ipê, canal específico do Ministério do Trabalho e Emprego para esse tipo de ocorrência. O sistema permite o envio de informações sem que o denunciante precise se identificar.

Fonte: G1 AM

Foto: Divulgaçaõ

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