Serviço Geológico do Brasil prevê chuvas abaixo da média até março de 2027, o que pode comprometer a recuperação dos rios e agravar a próxima estiagem.
Os efeitos do fenômeno El Niño, estabelecido em 2026, devem se estender até o primeiro trimestre de 2027 e podem intensificar a próxima estiagem no Amazonas. A projeção foi apresentada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) durante o Alerta de Vazante 2026, realizado em Manaus, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
As previsões indicam chuvas abaixo da média entre janeiro e março do próximo ano, período considerado fundamental para a recuperação dos níveis dos rios amazônicos após a seca.
Chuvas abaixo da média preocupam especialistas
O gerente de Hidrologia e Gestão Territorial do SGB, André Martinelli, explicou que os modelos climáticos apontam redução das precipitações nos primeiros meses de 2027, cenário que pode afetar tanto a vazante atual quanto a enchente do próximo ano.
“Praticamente todos os modelos de previsão de precipitação para os trimestres já apontam que até o trimestre janeiro, fevereiro e março nós teremos chuvas abaixo da média. Então, isso vai impactar a seca desse ano e, também, vai impactar a recarga, ou seja, o processo de enchente do ano que vem”, afirmou Martinelli.
Segundo o pesquisador, a menor reposição de água nos rios pode resultar em uma estiagem semelhante à registrada em 2010, considerada, até então, uma das mais severas da série histórica.
“Nos cenários que a gente colocou, ficariam cotas que já trariam prejuízos principalmente para o setor logístico da cidade, em níveis próximos aos da seca de 2010, que foi a terceira maior, superada apenas pelas estiagens de 2023 e 2024”, disse.
Níveis dos rios seguem em queda
Os dados hidrológicos mostram que os principais rios do Amazonas continuam apresentando redução nos níveis. No Porto de Manaus, o rio Negro registrou 24,09 metros nesta terça-feira (1º), com queda de 10 centímetros em relação ao dia anterior e nível 2,59 metros inferior ao registrado na mesma data de 2025.
Em Itacoatiara, o rio Amazonas marcou 9,95 metros, abaixo dos 12,13 metros observados no ano passado. O rio Solimões atingiu 3,06 metros em Tabatinga e 13,21 metros em Coari, também com cotas inferiores às registradas em 2025.
Municípios já sentem impactos da estiagem
A redução do nível dos rios já afeta o funcionamento de serviços públicos e o transporte em alguns municípios do estado. Humaitá decretou situação de emergência devido à seca do rio Madeira, embora o decreto ainda não tenha sido reconhecido pela Defesa Civil do Amazonas.
Segundo o órgão estadual, apenas São Paulo de Olivença e Benjamin Constant estão oficialmente em situação de emergência. Outros 16 municípios permanecem em estado de alerta e sete em situação de atenção.
Especialistas alertam que, caso as previsões climáticas se confirmem, a estiagem de 2027 poderá representar novos desafios para a logística, o abastecimento e as atividades econômicas dependentes dos rios na região amazônica.
Fontes:
- Serviço Geológico do Brasil (SGB)
- Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa)
- Defesa Civil do Amazonas
- Porto de Manaus
- Praticagem dos Rios Ocidentais da Amazônia (Proa)
Fonte: G1 Amazonas
Foto: Bruno Kelly/Reuters

