Ataques de Israel deixam mais de 250 mortos no Líbano em dia mais violento da guerra

Bombardeios atingem Beirute e outras regiões, enquanto Hezbollah retoma ataques e tensão ameaça cessar-fogo na região

Intensificar a ofensiva militar e ampliar a pressão sobre o Hezbollah. Israel realiza, em 8 de abril de 2026, os ataques mais intensos contra o Líbano desde o início do conflito, deixando pelo menos 254 mortos e mais de 1.100 feridos, segundo a defesa civil libanesa. A maior parte das vítimas é registrada em Beirute, onde ao menos 91 pessoas morrem após uma sequência de bombardeios.

A operação ocorre mesmo após o anúncio de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o que levanta dúvidas sobre a eficácia de acordos regionais. Autoridades israelenses afirmam que o Líbano não está incluído na trégua.

Escalada militar e resposta do Hezbollah

Os bombardeios atingem mais de 100 alvos, incluindo centros de comando e instalações militares do Hezbollah, em um intervalo de cerca de dez minutos, segundo o Exército israelense. As ofensivas alcançam Beirute, o Vale do Bekaa e o sul do país.

Em resposta, o Hezbollah retoma ataques com foguetes contra o norte de Israel, alegando violações do cessar-fogo. “Essa resposta continuará até que a agressão cesse”, informa o grupo em comunicado.

O conflito, iniciado em 2 de março, entra no seu momento mais crítico, com troca direta de ataques após uma breve pausa nas hostilidades.

Impacto humanitário e colapso de serviços

Equipes de resgate enfrentam dificuldades para atender vítimas diante da escala dos ataques. Em algumas áreas, moradores utilizam veículos improvisados para transportar feridos, devido à falta de ambulâncias.

Hospitais relatam sobrecarga e pedem doações de sangue. Parte da infraestrutura urbana é destruída, incluindo edifícios residenciais, deixando pessoas presas sob escombros.

“Estou vivendo um pesadelo”, afirma um morador atingido pelos bombardeios, ao relatar o medo de novos ataques.

Críticas internacionais e risco ao cessar-fogo

A ofensiva gera reação de organismos internacionais. O alto comissário da ONU para direitos humanos, Volker Türk, classifica a situação como “horrível” e questiona a escalada de violência horas após um acordo de trégua regional.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirma que um cessar-fogo no Líbano é condição para manter o acordo com os Estados Unidos, indicando possível ampliação do conflito.

Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sustenta que as operações continuarão contra o Hezbollah, reforçando que o território libanês não faz parte do acordo firmado.

Deslocamento em massa e crise prolongada

A escalada militar amplia a crise humanitária. Mais de 1,2 milhão de pessoas são deslocadas no Líbano, com ordens de evacuação que atingem cerca de 15% do território, especialmente no sul e nos arredores de Beirute.

Desde o início da ofensiva israelense, mais de 1.500 pessoas já morreram, incluindo mais de 130 crianças. A destruição de pontes, hospitais e usinas agrava a escassez de alimentos e medicamentos.

“O Líbano não aguenta mais”, afirma um civil deslocado, ao relatar a expectativa por um cessar-fogo que, até agora, não se concretiza.

Cenário de incerteza

O avanço dos ataques e a retomada das ofensivas pelo Hezbollah colocam em risco qualquer tentativa de estabilização na região. A ausência do Líbano nos acordos de cessar-fogo expõe uma fragilidade diplomática que pode prolongar o conflito.

Na prática, o cenário é de escalada. De um lado, Israel amplia operações militares. Do outro, o Hezbollah reage. No meio, uma população civil cada vez mais vulnerável.

Fonte: Reuters

Foto: REUTERS/Mohamed Azakir

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