Alckmin defende biodiesel como estratégia contra impactos da geopolítica

Vice-presidente afirma que produção nacional reduz dependência externa e fortalece economia em cenário de crise internacional

Reduzir a dependência de combustíveis importados e proteger a economia brasileira das oscilações internacionais. Esse é o eixo da defesa feita pelo vice-presidente Geraldo Alckmin durante o lançamento da Aliança Biodiesel, realizado na noite de 8 de abril de 2026, em Brasília. A iniciativa reúne a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, que concentram 16 fabricantes e 33 usinas, responsáveis por 63,7% da produção nacional.

O movimento ocorre em um contexto de pressão global sobre os preços dos combustíveis, impulsionada por conflitos no Oriente Médio. Nesse cenário, Alckmin sustenta que ampliar a produção interna é uma resposta direta à instabilidade externa. “Ao invés de importar diesel, muito sujeito à geopolítica mundial, a gente produz o nosso produto aqui, para o nosso país”, afirma.

O que está em jogo

O biodiesel é um combustível renovável produzido a partir de óleos vegetais e gorduras animais, que pode ser misturado ao diesel tradicional. Na prática, isso reduz a necessidade de importação, diminui a emissão de poluentes e amplia o uso de fontes energéticas mais sustentáveis.

O Brasil já opera com uma matriz parcialmente diversificada. Segundo o vice-presidente, o país possui 30% de etanol anidro na gasolina e cerca de 85% da frota composta por veículos flex, capazes de utilizar mais de um tipo de combustível. Esse cenário coloca o país em posição diferenciada, mas ainda exposta às oscilações externas no caso do diesel.

Impactos e efeitos na economia

Além do fator energético, o biodiesel também é apresentado como vetor de desenvolvimento econômico. A cadeia produtiva envolve pequenos produtores rurais, indústria e setor de serviços, o que amplia a geração de emprego e renda.

“Se nós somos campeões do mundo na agricultura, vamos agregar valor, produzir biocombustível, ajudar o meio ambiente e fortalecer a economia”, afirma Alckmin. Segundo ele, o uso do combustível também contribui para melhorar a qualidade do ar e reduzir problemas respiratórios.

Medidas do governo e cenário atual

A defesa do biodiesel ocorre paralelamente a medidas do governo federal para conter a alta dos combustíveis. Entre elas estão a zeragem de tributos como PIS/Cofins, a concessão de subsídios e a tentativa de dividir custos com estados e municípios.

“O governo entra com uma parte e convida estados e municípios a participarem”, afirma o vice-presidente, ao destacar que a maioria das unidades federativas aderiu à proposta. As ações buscam reduzir o impacto direto no bolso da população em um momento de alta do petróleo no mercado internacional.

Desafio de execução

No plano estratégico, a aposta em biocombustíveis funciona como tentativa de reduzir a vulnerabilidade do país diante da geopolítica do petróleo. A lógica é direta, produzir internamente para depender menos de fatores externos.

O desafio, no entanto, está na execução. Ampliar a produção, garantir estabilidade regulatória e manter o setor competitivo são pontos críticos para que a estratégia saia do discurso e se consolide como política de longo prazo.

Fonte: Agência Brasil

Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil

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