Retenção de macas do Samu impede mais de 2 mil atendimentos em Manaus em 2026

Defensoria Pública encontrou quatro equipamentos retidos no Hospital 28 de Agosto durante fiscalização e informou que vai avaliar novas medidas

A retenção de macas e equipamentos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) impediu 2.124 atendimentos médicos em Manaus entre 1º de janeiro e 21 de setembro de 2026. Os dados foram apresentados à Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM).

Durante uma visita técnica à Central de Regulação do Samu e uma inspeção no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, realizada na quinta-feira, 24 de setembro, a Defensoria encontrou quatro macas do serviço retidas na unidade.

Uma das macas estava no hospital havia quase três horas no momento da fiscalização.

Como a retenção afeta o Samu

As macas utilizadas pelas ambulâncias do Samu podem ser usadas temporariamente como leitos dentro dos hospitais. Quando os equipamentos ficam retidos, as ambulâncias permanecem paradas e deixam de estar disponíveis para novas ocorrências.

Segundo o defensor público Arlindo Gonçalves, coordenador do Núcleo de Defesa da Saúde (Nudesa), a retenção é proibida por legislação estadual, que determina a liberação imediata dos equipamentos pertencentes às ambulâncias.

“Uma maca retida é uma ambulância parada, que não pode realizar um atendimento dentro do tempo razoável de espera da população”, afirmou.

O gerente técnico do Samu, Eduardo Fernandes, explicou que o problema pode afetar principalmente a população das regiões atendidas pelas ambulâncias que ficam paradas.

Nessas situações, equipes de outras áreas precisam ser deslocadas para atender as ocorrências, o que pode aumentar o tempo de resposta.

“Infelizmente, a gente se depara com essa realidade que é persistente. […] Se uma base que atende uma determinada região no Norte da cidade fica com três, quatro, cinco ambulâncias sem poder atender porque os materiais estão retidos numa unidade de urgência, aquela população que vive naquela área fica toda prejudicada”, explicou.

Horas de inoperância

Os dados apresentados à Defensoria apontam que, nas 2.124 ocorrências registradas entre janeiro e setembro, os equipamentos ficaram retidos por cerca de uma hora e meia, em média.

Ao todo, foram 3.431 horas de inoperância de pelo menos uma ambulância do Samu.

“Esse é um prejuízo grande para toda a nossa população, tendo em vista que o Samu é o responsável pelo atendimento pré-hospitalar e um dos seus principais indicadores é exatamente o tempo de resposta”, disse Eduardo Fernandes.

Um levantamento anterior da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), referente ao período de julho de 2025 a junho de 2026, registrou 1.623 ocorrências de retenção de equipamentos do Samu. Naquele período, o tempo médio de retenção era de uma hora e 42 minutos.

O HPS 28 de Agosto concentrava 41,8% dos registros, seguido pelo HPS João Lúcio, com 39,1%, e pelo HPS Platão Araújo, com 12,6%.

Defensoria diz que problema persiste

A Defensoria informou que havia enviado ofícios aos órgãos responsáveis e recebeu, em julho, respostas das organizações sociais que administram os hospitais 28 de Agosto, João Lúcio e Platão Araújo.

Segundo Arlindo Gonçalves, as organizações informaram que haviam comprado equipamentos para evitar a retenção das macas do Samu. Durante a fiscalização, porém, a Defensoria encontrou quatro equipamentos do serviço retidos no HPS 28 de Agosto.

De acordo com o defensor, os equipamentos adquiridos pelas organizações sociais seriam utilizados para substituir materiais dentro dos hospitais, e não para ampliar a capacidade das unidades diante do aumento da demanda.

“As Organizações Sociais informaram que adquiriram insumos para evitar a retenção, porém, vimos in loco que o problema persiste”, afirmou.

O caso é acompanhado pela Defensoria por meio de um Procedimento Coletivo. O órgão informou que vai avaliar a situação nos demais hospitais e as medidas que poderão ser adotadas.

Segundo a DPE-AM, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) não respondeu aos questionamentos enviados após a inspeção. O g1 também procurou a secretaria, mas não havia recebido resposta até a última atualização da reportagem.

Fonte: g1 AM

Foto: Luiz Felipe Santos/DPE-AM

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