Concentração de partículas finas chegou a 490,1 µg/m³ durante a madrugada; Prefeitura registrou 73,65 µg/m³ às 8h50 e orienta população a reduzir exposição à fumaça
Manaus amanheceu encoberta por uma densa camada de fumaça nesta quinta-feira (8), com baixa visibilidade em diferentes pontos da capital. Durante a madrugada, um dos pontos monitorados pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registrou concentração de 490,1 microgramas de partículas finas por metro cúbico (µg/m³), o pior índice registrado na cidade em 2026.
O índice foi 71% superior ao maior registro anterior do ano, de 286,2 µg/m³, observado em setembro. Na classificação utilizada pelo Selva, concentrações acima de 125 µg/m³ são consideradas péssimas.
Ao longo da manhã, a concentração diminuiu. Segundo a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil Municipal (Sepdec), às 8h50 a média de partículas finas MP2,5 era de 73,65 µg/m³, índice classificado como ruim.
Fumaça vem de queimadas
De acordo com a Prefeitura, a fumaça que atinge Manaus é proveniente de queimadas na região metropolitana, principalmente no município de Itacoatiara.
O município afirma que Manaus está entre as cidades do Amazonas com menor número de focos de incêndio, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A Prefeitura mantém ações de prevenção, fiscalização e monitoramento por meio do Comitê de Prevenção às Queimadas.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) também realiza campanha educativa, fiscalização e monitoramento com drones. Denúncias podem ser feitas à Guarda Municipal 24 horas pelo telefone 153 ou pelo sistema eletrônico da Prefeitura.
Incêndio agrava situação
Além da fumaça provocada pelas queimadas, um incêndio em uma área de descarte de resíduos no Distrito Industrial 2 contribuiu para piorar a qualidade do ar em Manaus.
O fogo atingiu materiais como plásticos, borrachas, papéis, solventes e tonéis, formando uma coluna de fumaça na região. O incêndio chegou ao segundo dia na quarta-feira (7), enquanto equipes trabalhavam para controlar as chamas.
A combinação entre os incêndios registrados na capital e as queimadas no interior do Amazonas contribuiu para o aumento da concentração de partículas finas durante a noite e a madrugada.
Impactos na educação
A piora na qualidade do ar também afetou atividades de instituições de ensino em Manaus. A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) suspendeu as atividades acadêmicas e administrativas presenciais nesta quinta-feira, mantendo apenas aquelas consideradas essenciais. O Instituto Federal do Amazonas (Ifam), no campus Manaus Zona Leste, orientou a realização das atividades de forma remota devido aos níveis de poluição registrados na cidade. As escolas estaduais e municipais funcionam normalmente nesta quinta-feira.
Prefeitura orienta cuidados com a saúde
A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) orienta a população a reduzir a exposição à fumaça, principalmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas.
Durante períodos de pior qualidade do ar, a recomendação é evitar exercícios ao ar livre, especialmente caminhada, corrida e ciclismo. A população também deve manter-se hidratada e proteger os olhos e o nariz.
Quando a exposição à fumaça for inevitável, máscaras adequadas, como a N95, podem ajudar a reduzir a inalação de partículas. Entre os sinais de alerta estão tosse, irritação ou dor de garganta, ardência e lacrimejamento dos olhos, coriza, dor de cabeça, chiado no peito, falta de ar e piora de crises de asma.
Em casos leves, a orientação é procurar uma unidade básica de saúde. Para sintomas mais graves, a recomendação é buscar um serviço de pronto atendimento. Em situações de emergência, o Samu deve ser acionado pelo 192.
A Prefeitura informou que continua monitorando as condições meteorológicas e a qualidade do ar e deve atualizar as informações diante de mudanças significativas.
Fonte: Prefeitura de Manaus/ G1 Am
Foto: Manu Passos/Rede Amazônica

