Ex-comandante argentino é condenado por naufrágio do submarino ARA San Juan

Justiça argentina responsabiliza oficial por negligência na tragédia que matou 44 tripulantes; pena será cumprida em liberdade

A Justiça da Argentina condenou, nesta quarta-feira (8), o ex-comandante da Força de Submarinos, Claudio Villamide, a três anos de prisão pelo naufrágio do submarino ARA San Juan, que matou 44 tripulantes em 2017. Apesar da condenação, a pena é condicional e não resultará em prisão imediata.

Tribunal aponta negligência

O tribunal federal da província de Santa Cruz considerou Villamide culpado por negligência e descumprimento dos deveres de funcionário público. Segundo a decisão, o submarino iniciou a missão de patrulha sem reunir condições adequadas de navegação.

A embarcação possuía restrição para mergulhos superiores a 100 metros devido à necessidade de testes pendentes após passar por reparos de meia-vida. Além de Villamide, outros três ex-comandantes da Marinha foram julgados, mas absolvidos. São eles Luis Enrique López Mazzeo, Héctor Aníbal Alonso e Hugo Correa.

Pena será cumprida em liberdade

A sentença determina que o ex-comandante informe seu endereço à Justiça e cumpra outras obrigações legais durante os três anos da condenação, sem necessidade de prisão.

O Ministério Público havia pedido pena de cinco anos de reclusão, argumentando que Villamide ignorou as condições inadequadas do submarino antes da missão.

Famílias vão recorrer

A advogada Valeria Carreras, representante da maioria dos familiares das vítimas, informou que recorrerá da decisão para contestar as absolvições dos demais acusados e pedir aumento da pena aplicada ao ex-comandante.

Segundo ela, a condenação representa um reconhecimento da responsabilidade pela tragédia.

“É importante ter podido provar a culpa de Villamide. Foram 44 mortes evitáveis e é uma mensagem às Forças Armadas e ao Estado para que cuidem dos servidores da pátria”, afirmou. Os fundamentos da sentença serão divulgados em 21 de agosto, quando os recursos deverão ser apresentados.

Tragédia segue sem explicação definitiva

As investigações ainda não esclareceram completamente as causas do acidente. Antes do desaparecimento, o ARA San Juan informou uma avaria e um princípio de incêndio provocado por um curto-circuito na sala de baterias.

Em 15 de novembro de 2017, o submarino ultrapassou a profundidade máxima recomendada e implodiu no Atlântico Sul.

Uma operação internacional participou das buscas na tentativa de localizar a embarcação e seus tripulantes. Os destroços foram encontrados um ano depois, a cerca de 500 quilômetros da costa argentina e aproximadamente 900 metros de profundidade, sem que o submarino fosse resgatado.

Destroços do submarino ARA San Juan, localizados no fundo do Oceano Atlântico um ano após o desaparecimento da embarcação, que implodiu em novembro de 2017 e deixou 44 militares mortos. Foto: Marinha Argentina/AFP.

Fonte: G1 mundo

Foto: Argentine Navy/Handout via Reuters

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