Segundo o The New York Times, aeronaves foram deslocadas da África para apoiar operações contra grupos de narcotráfico na América do Sul
Os Estados Unidos deslocaram drones MQ-9 Reaper da África para a Colômbia e o Equador, segundo reportagem publicada pelo jornal The New York Times nesta terça-feira (6). As aeronaves devem ser utilizadas em operações relacionadas ao combate ao narcotráfico e a grupos criminosos na América do Sul.
O número exato de drones enviados para cada país não foi divulgado. Segundo autoridades americanas ouvidas pelo jornal, trata-se de uma quantidade pequena de aeronaves, e também não está claro quantas já chegaram aos destinos.
Drones são conhecidos como “caçadores-assassinos”
O MQ-9 Reaper é uma aeronave remotamente pilotada usada pelos Estados Unidos principalmente para vigilância e reconhecimento, mas que também pode transportar armamentos de precisão.
O modelo ficou conhecido por operações militares americanas no Oriente Médio e na África. Em 2020, um MQ-9 foi utilizado na operação que matou o general iraniano Qassim Suleimani, comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária do Irã.
Segundo o The New York Times, cada aeronave pode custar até US$ 50 milhões. O jornal também informou que os Estados Unidos possuem atualmente um estoque reduzido do modelo após perdas durante a guerra contra o Irã.
Colômbia e Equador receberão aeronaves
Autoridades colombianas afirmaram durante o verão no Hemisfério Norte que o país havia concordado em receber três MQ-9 Reaper e que avaliaria a possibilidade de adquirir uma quarta aeronave.
No Equador, o ministro da Defesa, Gian Carlo Loffredo, afirmou que dois drones já haviam sido entregues ao país para ações de cooperação e estavam em operação.
Os governos da Colômbia e do Equador não responderam aos pedidos de comentários feitos pelo The New York Times. O Comando Sul dos Estados Unidos também não comentou a movimentação, citando questões relacionadas à segurança operacional.
Mudança na estratégia dos EUA
A transferência dos drones ocorre em meio à ampliação da atuação militar dos Estados Unidos contra grupos ligados ao narcotráfico na América Latina.
Na semana passada, o general Francis Donovan, responsável pela estrutura militar americana voltada para a América Latina, afirmou ao The Wall Street Journal que os Estados Unidos planejavam realizar ataques terrestres contra cartéis de drogas na região.
Colômbia e Equador estão entre os países que passaram a ampliar a cooperação militar com Washington para combater organizações criminosas classificadas pelo governo americano como terroristas.
Especialistas questionam eficácia da estratégia
Especialistas ouvidos pelo The New York Times questionaram a efetividade de uma estratégia baseada principalmente na eliminação de líderes de organizações criminosas.
Segundo os especialistas citados pelo jornal, grupos de narcotráfico costumam substituir rapidamente integrantes que são mortos ou presos. Por isso, a retirada de determinadas lideranças pode não ser suficiente para interromper o funcionamento das organizações ou reduzir o fluxo de drogas.
O deslocamento dos MQ-9 Reaper também gera preocupação sobre a atuação americana na África. As aeronaves são utilizadas em operações contra grupos como o al-Shabab, na Somália, e a retirada de parte dos equipamentos pode afetar essas operações.
Brasil não é citado
O Brasil não foi mencionado nas reportagens sobre o deslocamento dos drones para a América do Sul.
A movimentação envolve, até o momento, Colômbia e Equador, países que ampliaram a cooperação militar com os Estados Unidos no combate ao narcotráfico e a organizações criminosas classificadas por Washington como terroristas.
Fonte: G1 Mundo
Foto: Creative Commons/Wikipedia

