“O Vento Vai Reagir” integra a competição oficial do Seattle Latino Film Festival e aborda identidade indígena, memória e preservação cultural no Vale do Javari
A cultura do povo indígena Marubo, que vive no Vale do Javari, no interior do Amazonas, ganha destaque no cinema internacional com o documentário brasileiro O Vento Vai Reagir. Dirigido por Delvair Montagner e Marcelo Díaz, o longa foi selecionado para a competição oficial da 18ª edição do Seattle Latino Film Festival, nos Estados Unidos, realizado entre 9 e 17 de outubro de 2026.
A produção acompanha o reencontro de duas antropólogas, Delvair Montagner e Varῖ Mëma, durante uma viagem a uma aldeia Marubo localizada a dois dias de barco de Atalaia do Norte, no interior amazonense. A narrativa aborda questões de identidade, memória e os desafios para manter vivas as tradições indígenas.
Filme aborda identidade e pertencimento indígena
Varῖ Mëma é uma mulher indígena e antropóloga que enfrenta conflitos relacionados à própria identidade. Entre seus parentes, ela deixou de ser reconhecida como Marubo, enquanto, no meio acadêmico, sente-se como alguém de fora.
Doutora em Antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Varῖ foi encarregada pelas mulheres de seu povo de pesquisar e preservar a cultura Marubo. Criada entre indígenas e não indígenas, ela busca compreender seu lugar entre esses dois mundos.
Delvair Montagner, por sua vez, acompanha a história dos Marubo desde a década de 1970. A antropóloga também é reconhecida por documentar aspectos da vida do povo indígena e por seu trabalho relacionado à identificação da Terra Indígena Vale do Javari.
Produção alerta para mudanças culturais na Amazônia
Durante a viagem retratada no documentário, as protagonistas encontram uma realidade marcada pelo enfraquecimento de tradições e pela transformação das relações culturais na região.
A obra combina memórias, encontros e experiências das duas antropólogas para construir uma narrativa que alterna entre passado e presente. Em vez de recorrer a entrevistas convencionais, o filme utiliza uma abordagem que aproxima as vivências pessoais das questões coletivas relacionadas à cultura indígena.
Varῖ Mëma destaca a importância de levar a história de seu povo ao público internacional.
“Como mulher Marubo, carrego comigo a força, a memória e a sabedoria do meu povo”, afirma. Ela também ressalta a necessidade de fortalecer e valorizar a cultura indígena e de ampliar a visibilidade das mulheres Marubo como responsáveis pela transmissão de conhecimentos e pela educação entre gerações.
Filme já recebeu reconhecimento internacional
Produzido pela Diazul de Cinema, O Vento Vai Reagir também conquistou reconhecimento no ano anterior, quando recebeu cinco prêmios no SAPCINE, na Colômbia. As premiações garantiram serviços de pós-produção voltados ao mercado internacional, consultoria de impacto e assessoria de mídia do Latam Cinema.
A produção tem patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, vinculado à Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF.
A participação no Seattle Latino Film Festival amplia a circulação internacional da obra e leva ao público de outros países uma narrativa sobre a identidade Marubo, a memória indígena e os desafios de preservação cultural no Amazonas.
Fonte: A Crítica
Foto: Divulgação

