Operação federal mobiliza 11 aeronaves para combater queimadas na Região Metropolitana de Manaus e em outras áreas do estado. Fumaça intensa prejudicou os voos na segunda-feira (12).
Aeronaves do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) lançaram mais de 10 mil litros de água sobre áreas atingidas por incêndios na Região Metropolitana de Manaus, na segunda-feira (12). A ação faz parte de uma força-tarefa do governo federal para combater as queimadas no Amazonas.
Imagens registradas durante a operação mostram um avião do modelo Air Tractor despejando água sobre as chamas, enquanto a fumaça dos incêndios encobria o horizonte. Até a tarde de segunda-feira, as equipes haviam acumulado 67,2 horas de voo.
Segundo o Ibama, 11 aeronaves estão mobilizadas no estado: seis aviões Air Tractor, um cargueiro KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), três helicópteros e um avião Caravan.
Aeronaves atuam em diferentes frentes
Os seis aviões Air Tractor e o cargueiro KC-390 são utilizados para lançar água sobre as áreas atingidas pelo fogo. Os helicópteros transportam brigadistas e equipamentos, enquanto o Caravan presta apoio logístico às equipes.
A operação prevê atuação em Manaus, Autazes, Itacoatiara e Parintins. Também está prevista a estruturação de uma base de apoio às operações aéreas em Itacoatiara.
Na segunda-feira, porém, a fumaça intensa prejudicou a visibilidade e impediu o voo da maioria das aeronaves. De acordo com o Ibama, além do KC-390, apenas três helicópteros conseguiram voar, prestando apoio logístico às equipes em solo.
Cargueiro da FAB realiza voos no Baixo Amazonas
O KC-390 da Força Aérea Brasileira também participou do combate aos incêndios na segunda-feira, com três viagens nas proximidades de Parintins, na região do Baixo Amazonas.
Para terça-feira (13), a previsão era de mais três voos do cargueiro: um em Parintins e dois em Itacoatiara.
A aeronave é equipada com o Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndios (MAFFS), que permite transportar e lançar grandes volumes de água ou líquido retardante de chamas por uma abertura na parte traseira.
Ministro identifica focos de incêndio dentro da floresta
No domingo (11), uma comitiva do governo federal sobrevoou áreas afetadas pelas queimadas no Amazonas. Após a inspeção, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que a situação era mais grave do que esperava.
“Eu diria, mais grave do que eu imaginava depois de fazer o sobrevoo, porque nós identificamos muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada. Não se trata apenas daquele fogo que foi colocado na pastagem e adentrou a floresta. Nesse caso, além do fogo que vem da pastagem, nós vimos focos no meio da floresta preservada. Inúmeros focos”, afirmou.
Segundo o ministro, a presença de focos isolados em áreas preservadas e de difícil acesso pode indicar ação humana intencional para degradar a floresta e preparar o terreno para futuros desmatamentos.
Capobianco também pediu que o governo do Amazonas mobilize a Polícia Militar para atuar com o Corpo de Bombeiros no combate às chamas e na identificação dos responsáveis.
Amazonas registra alta de 271% nos focos de incêndio
Nos dez primeiros dias de outubro de 2026, o Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio, aumento de 271% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 372. Os dados são do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Do total registrado neste mês, 1.186 focos foram identificados em áreas públicas, 93 em propriedades privadas e 101 em locais com situação fundiária não definida.
No mesmo período, foram registrados 246 focos em assentamentos federais, 116 em terras indígenas e 97 em unidades de conservação.
Fumaça mantém a qualidade do ar ruim em Manaus
A fumaça das queimadas continuava afetando a qualidade do ar na capital amazonense na manhã de terça-feira (13). Apesar da melhora em relação ao dia anterior, Manaus permanecia com o ar mais poluído do Brasil, segundo a plataforma internacional IQAir.
Por volta das 5h30, o Índice de Qualidade do Ar (AQI⁺) estava em 92, classificação considerada moderada. A concentração de partículas finas PM2.5 chegou a 31 microgramas por metro cúbico (µg/m³), cerca de 6,3 vezes o limite anual recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Na segunda-feira (12), por volta das 6h, o índice havia atingido 195, considerado insalubre, com concentração de PM2.5 de 123 µg/m³.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também apontaram variações entre os bairros monitorados. No Parque 10, a concentração de partículas poluentes era de 41,7 µg/m³. No Puraquequara, chegou a 51,2 µg/m³, faixa considerada ruim. No Coroado, atingiu 88,8 µg/m³, classificada como muito ruim.
Uma chuva registrada por volta de 1h30 atingiu bairros como Compensa, Lírio do Vale, Alvorada e Tarumã. Mesmo com a melhora nos indicadores, a fumaça continuava sendo um problema na capital.
Fonte: g1 am
Foto: Reprodução/Ibama

